Monday, July 6, 2009

Os Caminhos da Notícia (Grupo 01)

Com o objetivo de colocar em prática algumas das funções e idéias inerentes ao conceito de mídia locativa, desenvolvemos o projeto "GPS-Tracking - Os Caminhos da Notícia". Utilizamos para isso, as formas de mapeamento e monitoramento através de dispositivos móveis. O tema escolhido tem interesse direto aos nossos propósitos acadêmicos, já que somos estudantes de jornalismo.
A idéia foi monitorar o movimento de uma cobertura jornalística, criando um traçado na cidade, para, de forma simbólica, registrar como a notícia se apropria do espaço urbano. Este mapeamento, como mostraremos adiante, se deu a partir do processo produtivo da notícia, desde sua apuração até a chegada ao leitor, passando pelas fases de edição e impressão.



Acompanhamos uma equipe de reportagem do jornal A Tarde, destinada a cobrir uma pauta sobre crimes contra idosos. Na primeira parte do percurso fomos até a Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso, para entrevista com a delegada. Apurada a reportagem, voltamos à base do A Tarde para acompanhar a parte de edição e diagramação. Depois seguimos para a gráfica, que fica dentro das instalações do jornal, para conferir a impressão. Por fim, acompanhamos o caminho do jornal impresso até uma banca de revista.
Mapeando o percurso da notícia pudemos resignificar o espaço através da rotina jornalística.

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Thursday, May 7, 2009

Resenha da aula 30-04-09

Resenha do texto "Monitoramento, Classificação e Controle nos dispositivos de vigilância digital" (Fernanda Bruno, 2008), apresentado na aula do dia 30/04/2009

Introdução:
- 2007 como o ano de explosão da vigilância na internet
- Facebook -> Beacon Ads
- Dispositivos de vigilância digital
No entanto, não é unicamente a aplicação publicitária da vigilância digital que interessa a Fernanda Bruno, mas os mecanismos de monitoramento, classificação e controle dos indivíduos.
- Protestos contra a vigilância começam a aparecer
Dois argumentos sobre a problematização dos processos de vigilância digital:
I - Noção de privacidade em questionamento -> a definição tradicional não é suficiente
II - A questão da privacidade como dimensão coletiva
- Pretende-se, com esse artigo, aprofundar a análise sobre vigilância digital

1. Definições e posições
- Definição de vigilância digital como "monitoramento sistemático, automatizado e à distância de ações e informações de indivíduos no ciberespaço, com o fim de conhecer e intervir nas suas condutas ou escolhas possíveis.
- Principais elementos dos dispositivos de vigilância:
* tecnologias de monitoramento de ações, informações e comunicações dos indivíduos no ciberespaço
* montagem de bancos de dados
* elaboração de perfis
- Continuidade de conceitos antigos de vigilância e inclusão de novos
- Vigilância não como metáfora do Big Brother ou do panoptismo, por exemplo, mas a cultivação da liberdade e autonomia individuais

2. Monitorar, coletar, arquivar
A segunda parte do texto fala sobre arquivamento, coleta e monitoramento de dados sobre indivíduos a partir de suas ações em ambientes digitais.
O texto começa falando sobre o aumento do monitoramento e da coleta de dados sobre indivíduos nos mais diversos setores que vão desde trabalho até entretenimento. Esse monitoramento de dados é possível porque muitos dos novos produtos tecnológicos já incluem no seu funcionamento um mecanismo que possibilita essa coleta. Com isso, esses sistemas de informação e de comunicação acabam se tornando potenciais meios de vigilância.
Nós somos herdeiros de um mecanismo que se firmou no século XVII/XVIII – que foi quando se estreitou uma aliança entre as funções de vigilância e censura com as de calculo e conhecimento. Essas funções partiram da idéia de “censor”(alguém que controlava os hábitos das pessoas) e da idéia de estatística. Agora, os novos produtos tecnológicos permitem diferentes modelos de monitoramento e coleta.
Hoje, qualquer um que queira e que tenha recursos técnicos é capacitado a coletar dados individuais, sem que se precise de uma autorização prévia ou ser uma autoridade. Principalmente porque esses recursos técnicos são cada vez mais baratos, automatizados e acessíveis. “Hoje é comum tornar um simples sítio eletrônico um sistema de monitoramento dos seus visitantes e montar um razoável banco de dados sobre eles.”
Até os anos 70, o setor público era quem detinha majoritariamente o domínio sobre a estocagem e coleta de dados. Era algo secreto dos Estados e se constituía num modelo hierarquizado e centralizado, onde só as autoridades exerciam. E o setor privado era muito pontual e eventual.
Hoje já é diferente, o que se vê é um aumento do numero de banco de dados tanto públicos quanto privados e que acabam se cruzando e trocando informações, que circulam numa rede descentralizada e com as mais diferentes finalidades (da publicidade ao controle do crime, da promoção da saúde ao entretenimento)
Pode se falar de dois conjuntos de dados: os relativamente estáveis, que não sofrem mudanças ou que sofrem poucas mudanças ao longo do tempo, e que costumam ser dados geodemograficos, de gênero,...
E o outro conjunto é o de dados móveis ou circunstanciais – que são os dados mais relevantes, porque é nesse conjunto que está inserido os dados próprios da vigilância digital. Nesse conjunto constam dados comportamentais (consumo, deslocamento, lazer), transacionais (uso de cartões, navegação em ambientes digitais), psicológicos (autodeclarações sobre personalidade, gostos), sociais (comunidades e amigos virtuais), entre outros.
É a partir da incorporação dessas novas tecnologias que essa coleta de dados se torna mais capacitada. É possível uma coleta a distância e em tempo real, sem que se precise utilizar questionários e entrevistadores.
Esse interesse por esse conjunto de dados móveis reflete num modo próprio de individualização.
Um último aspecto é a respeito da estocagem de informações que de 30 anos pra cá, baixou muito o custo e permitiu uma ampliação no arquivamento.
Hoje os dados são perenes e podem ser estocados indefinidamente. E essa perenidade faz com que essas informações sejam sujeitas a novas interpretações e utilizações o futuro, “o que tem efeito nas formas de controle e predição da vigilância digital”
O termo lifelog surge pra definir e questionar esse arquivamento minucioso da existência mediante tecnologias de computação pervasiva.

3. Classificar e Conhecer
Antes, o intuito de se produzir classificações e conhecimentos era governar as condutas dos indivíduos que estavam sendo inspecionados. A vigilância digital se discerne desta antiga prática de vigilância principalmente pelo seu objetivo. O levantamento de dados e a produção de conhecimento a partir dos mesmos, no tradicional processo de vigilância, visavam criar médias que implicavam em uma padronização da "ordem" humana e social. Ou, como definiu Foucault (1983), este processo efetuava a "liberação epistemológica das ciências do indivíduo".

A atual vigilância não repete a tradicional porque o conhecimento adquirido a partir das classificações não representa nem a média nem a norma de um fator numa população. Esta particularidade da vigilância digital pode ser melhor entendida quando se compreende o seu sistema de classificação e de conhecimento de indivíduos e grupos.

Primeiramente, existem dois modelos de categorização, o "top-down" e o "bottom-up". No "top-down" são criadas categorias infra-individuais utilizando classes pré-estabelecidas- idade, gênero e profissão, por exemplo. Já no segundo modelo as classes são criadas a partir da análise de dados. Em seguinte, essa categorização é submetida ao tratamento onde são mais comuns os métodos data mining (mineração de dados) e profiling (produção de perfis computacionais), que complementam um ao outro. Na mineração de dados, grandes volumes de dados são processados com o intuito de se extrair padrões que diferenciarão tipos de indivíduos ou grupos, gerados pelo mecanismo do profiling. Neste mecanismo, segue-se uma lógica que objetiva "determinar indicadores de características e/ou padrões de comportamento que são relacionados à ocorrência de certos comportamentos", como definiu Bennett (1996). Daí porque o perfil é um padrão de ocorrência de certo fator num dado conjunto de variedades. Ele vale-se como "potencialidades dos mais variados tipos de indivíduos" e é devido a esta sua proposta que existem teorias que o utilizam para conceber o crime não como uma disfunção particular ao criminoso, mas como um contexto que motivou atitudes criminosas no indivíduo- contexto este, que pode ser evitado a partir do controle das circunstâncias e oportunidades.

4. Individualização e identidade
- Bancos de dados e sua taxonomia não apenas como máquinas epistêmicas, mas como máquinas identitárias
- O principal objetivo do perfil não é produzir um saber sobre um indivíduo identificável
- Perfil atuando como categorização da conduta
- Perfis são simulações de identidades, podendo antecipar potencialidades
- Padrões baseados numa suposição de causalidade
- As trajetórias individuais interessam menos
- Perfil como uma simulação pontual de identidades

5. Predição, controle e performance

Monitorar, arquivar, classificar, conhecer são modos específicos de ações sobre os indivíduos tendo destaque os processos preditivos.

O perfil criado não é uma previsão certa, absoluta, mas a efetuação de uma realidade antecipada.

O texto defende que o comportamento é moldado de acordo com os perfis criados. Como exemplo tem-se a criação do perfil de jovens delinqüentes servindo de parâmetro, de projeção para os que se enquadram no perfil, formando uma espécie de delinqüentes por antecipação.

A predição pretende ser estratégica em diversos setores. Visa a publicidade, influenciando o consumidor, e também agindo no campo da escolha do individuo ofertando a ele perfis que projetem cenários, interesses que devem incitar e/ou inibir o comportamento. As identidades projetadas pelos perfis visam diretamente a própria ação. Quanto maior a adequação ao perfil, maior é o aceso aos circuitos de consumo e civilidade e mais perfis são criados.

Esse regime de predição e intervenção (induzindo o individuo ao comportamento desejado) é uma forma de controle social.

Tecnologias de controle atuais: pulverização em redes não hierarquizadas, onde a conduta dos cidadãos é modulada a um conjunto de práticas sociais.

Caráter preditivo-performativo conjuga uma cultura da performance, atuando na forma de atuação. A valorização da performance passou por uma evolução histórico-cultural. A partir da emancipação das interdições, onde as pessoas adquirem o poder de escolher a própria vida, o indivíduo se vê atrelado a outro imperativo: o da autonomia, da iniciativa.
A valorização da performance e da autonomia ganham força com a possibilidade da produção e distribuição de conteúdos diversos como musica, literatura, vida pessoal – novo modelo de produção de conteúdo onde a participação e colaboração são centrais.

Performances individuais gerando as chamadas culturas livres e alternativas.

Tais tecnologias operam como instrumentalização de uma forma de liberdade. “livres para escolher” e também “obrigados” a escolher. Não dá para viver alheio a essa nova fase.

As identidades produzidas pelos bancos de dados e a atuação dos perfis como tecnologias performativo-preditivas de controle e instrumento de escolhas individuais merecem participar das discussões sobre vigilância digital, atestando a violação à privacidade como um aspecto imediato.

Grupo 2- Carolina, Gabriela Baleeiro, Jairo Gonçalves, Laís de Carvalho, Leonardo Pastor.

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Saturday, December 13, 2008

A Era do Superpanopticon

Da série: Vigilância, privacidade e monitoramento, este foi o último e derradeiro texto debatido na aula de ontem: 'Cam Era'- the contemporary urban Panopticon. (Era da Câmera- O panopticon urbano contemporâneo), 2003. , de Hille Koskela (Departamento de Geografia da Universidade de Helsinki, Finlândia). Com a proliferação das Câmeras de vigilância por todos os lados, a autora se preocupa em entender a vigilância no espaço urbano, através destes dispositivos do Panopticon. Para isso, ela busca um melhor embasamento teórico em Focault que entende o espaço como crucial para explicar as relações de poder social. A argumentação central que norteia o artigo é de que não é só o espaço fundamental para o exercício do poder, mas o poder também criar um tipo particular de espaço.
Ignorando às críticas sobre a metáfora de Panopticon-definido por Jeremy Berthan, a autora ressalta que a vigilância pode ser usada para reforçar a homogeinização do espaço urbano. As tecnologias digitais aumentaram a vigilância o que a tornou mais delicada e intensa, e como consequência, fonte de conflitos nas relações de poder. Estaríamos, no entanto, vivendo uma era de da "superpanoticon", altamente vigiada e vigilante, e que esta vigilância extrapolou barreiras concretas: sai do físico para o virtual (WWW).

Transposta para o ciberespaço, esta tele-vigilância, como define a autora, problematiza e intensifica questões sobre a privacidade e os direitos humanos. Enquanto que o sistema de vigilância tradicional que apenas assistia pessoas anônimas, agora com as tecnologias, o anonimato é descoberto: rostos de pessoas em bancos, crimes, entre outros mecanismos.
"Tele-vigilância é o principal componente de representação e o controle que tem sido chamada de 'a era da grande ótica global'". (Virilo, 202, p. 294).
Ou seja, os meios eletrônicos agiriam como reforço do controle social informacional.

A autora ressalta que a tipologia dos lugares (p.295) é mais aplicável onde a regulação da vigilância é baixa (cidades da Inglaterra, Finlandia, Estônia) mas que, no entanto, sob a luz das idéias do Foucault, ela afirma que a vigilância varia de cidade para cidade, mas que quase todas as cidades ocidentais, o Panopticon esta presente em toda parte. A complexidade da política de ver e ser visto, a leva a um aprofundamento do espaço, que para Foucault é a fundamental base do exercício de poder (relações sociais, apoiado na tríade:poder, conhecimento e espaço. Pesquisadores e geógrafos têm enfatizado a "espacialização do poder" ao invés, replica a autora, de focar como o poder afeta a natureza do espaço- que é mais relevante- e que encontra vagueza no conceito de espaço.

A metáfora espacial de Foucault, afirma ela, tem sido explorada sem uma crítica mais séria e que teria várias implicações. A autora revela insatisfação quanto ao conceito de espaço de Foucault porque ele nunca sistematizou detalhadamente, mas o colocou como um espaço segregado- como prisões, hospitais, escolar e que a mudança na natureza do espaço foi ignorada pelo autor. A relação entre poder e espaço muda: não apenas o espaço é crucial para o exercício do poder, mas o poder também cria um particular tipo de espaço (Koskela, 2000). Este é seu principal ponto de sustentação argumentativa, embora reconheça que, por outro lado, o próprio espaço urbano é mais complexo do que as idéias de Foucault de prisões.

Para ela, "nas cidades, as pessoas podem metaforicamente, por vezes, ser preso, mas, mesmo assim, eles não estão sob isolamento mas muito pelo contrário: uma cidade é um espaço de encontros intermináveis" (p. 297). A cidade, insiste, é marcada pela diversidade e por conta deste aspecto, é impossivel de comparar com o Panopticon, mesmo presenciando mecanismos nítidos para vigiar as cidades.

Problemática da visbilidade: Dentre os mecanismos que compõem o arsenal do Panopticon, a visibilidade é o mais óbvio e reconhecido princípio. Mas a natureza básica do exercício do poder disciplinar envolve regulação através da visibilidade' (Hannah, 1997, p. 171). No espaço urbano, a visibilidade é aceita e de certa legitimada com a garantia de segurança, e onde para ela, há uma conotação de poder. Por outro lado, tem se realizado a idéia de Foucault do "sonho de uma sociedade transparente" (1980), onde tudo é subjugado para o controle social. Neste sentido, a visibilidade é importante quando há "medo dos espaços escuros" como as zonas de desordem. Ou seja, o olhar da câmera é calculado para excluir.

Entretanto, nem todas as câmeras são colocadas para serem vistas. Deste modo, a autora nos diz que a vigilância transcende as barreiras temporais e espaciais, ao mesmo tempo que as cameras podem ser entendidas como ameaças em vez de segurança e isso provoca emoções.
A autora coloca a vigilância como experiência emocional: sentimentos como vergonha e culpa garantem o auto-controle. Isto é, não precisariamos de cameras para nos viagiar. Por outro lado, não há como desvencilhar tais dispositivos nas cidades, embora nas cidades as pessoas não estão em confinamento, mas sim livres, e onde novas formas de controlar crescem involutariamente.

A vigilância, contudo, também se apresenta como reforço da exclusão social quando câmeras são usadas para monitorar grupos, cuja aparência é desviante. Ou seja, estaria colocando em prática a normatização do espaço urbano como assinala Foucault, e que desta forma, ressalta ela, reforça as relações de poder. Em um outro momento, as representações visuais estão ligadas à sexualidade: O Big Brother nos ajuda a compreender melhor: voyerismo, narcisismo, exibicionismos são atributos intrísecos ao fenômeno.

Koskela nos fala que a ausência de força física se configura como um valor do panotpicon: o anonimato como um valor positivo no espaço urbano. Metaforicamente, a câmera de vigilância é uma arma. Entretanto, ela ressalta que uma das tendências na questão da vigilância é o uso das bases de dados para vários propósitos: pesquisar pessoas, cruzamento de informações, entre outros. Mas que estas imagens são multiplicadas na internet- e em outros ambientes- e que transforma a vida num grande espetáculo teatral. Ou seja, banaliza-se o anonimato.

Em resumo, Koskela postula que:
*o espaço é mutável, e portanto, dificil de controlar
*Espaço é "como água cristalina" (Foucault)
*Não há modos de escapar da era do "Superpanopticon".

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