Tuesday, May 26, 2009

Resenha da aula do dia 21/05

O Geógrafo e pesquisador Leonardo Branco fez uma palestra sobre o território e representações no Ciberespaço, a partir do trabalho apresentado no Cibercomunica (Jorge Amado) : “O caso do Google Earth e do Google Latitude”.
Inicialmente, ele falou sobre a sua relação com a comunicação, já que fez uma especialização na FACOM, em 2008, na área de Cibercultura.
A palestra teve como objetivo revelar a ligação entre a esfera comunicacional e a geográfica, mostrando as estratégias teóricas que vem sendo encontradas para fazer esse nexo. Segue a apresentação:

*Qual é a relação entre as novas tecnologias da comunicação e o território?
*As novas tecnologias são capazes de mediar novas relações com o espaço geográfico / urbano?
*Como ligar geografia e comunicação?

Noção de Territorialidade:

*Modernidade:
Espaço pelo tempo
Fronteiras nacionais
Identidade territorial
Controle do espaço
Espaço como mercado

Cartografia Moderna:
Objetiva
Funcional
Nacionalista
Matemática
Massiva

*Contemporaneidade:
Espaço e tempo não dissociados
Lugar e não lugar
Multiterritorialidade
Território informacional
Espaços de fluxos

Google Maps: conectado a rede.
Google Earth: programa baixado da internet.
Permitem: Adicionar conteúdo (vídeos, textos, fotos...)
Possibilidade de interação com o espaço.

Cartografia Colaborativa:
Dualidade (precisão/imprecisão)
Flexível (convenções)
Funções pós-massivas
Colaborativa
Multiescalar

*Discussão: Vigilância – controle das empresas, como o Google. Não devemos romantizar a tecnologia!

*Mídias de Função Massiva:
Centralização da Informação
Controle do pólo de emissão
Fluxo unidirecional
Agem por hits
Centrados no regional/nacional

*Mídias de Função Pós-Massiva:
Abertura do pólo de emissão
Personalização de conteúdo
Fluxos bi-dimensionais
Agem por nichos

* Mapa como mídia (Short, 2003): Porque apresentam quatro elementos de um sistema de comunicação:
1.Uma mídia
2.Uma mensagem
3.Um produtor
4.Um consumidor

*Cartografia Massiva:
Feita por poucos
Unidirecional
Legitimada por um estatuto científico

*Cartografia Colaborativa:
Feita por muitos
Colaborativa
Com possibilidades de apropriações

*Redes Socias Geoferenciadas ou Movéis: Abientes na internet em que existe trocas informacionais, mas que se remete a um lugar (Ex: Wikicrimes, Citix, Google Latitude).

Obs: Sem conseguir conexão com a Internet, a aula foi puramente teórica.

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Thursday, October 30, 2008

Por uma cartografia transgressora

Aqui vai a outra discussão também da última aula sobre o artigo Subversive cartography: Challenging the accuracy of the oficial map.do Museu virtual do Canadá.


O artigo se propõe a apresentar um novo conceito e modo de produção cartográfica da cidade, uma cartografia que foge dos padrões de produção dos mapas oficiais, uma cartografia anárquica, subversiva. A produção destes mapas, contudo, se deve ao fato de que as tecnologias digitais facilitou/possibilitou as produções destes mapas na Web, bem como o ressurgimento da Psycogeography, que seria um movimento de construção de "mapas mentais" que estariam disponíveis em sites, conferencias, entre outros. Esta nova onda da Psicogeografia é descrita como anotações urbanas "comprometidos com o "mapeamento mental" do espaço físico cívico, isto é, mapeamento das versões dos locais que existam nas nossas mentes e são representados pelas nossas emoções".
Contudo o artigo não contextualiza a origem da psicografia, o que suscita questões como: qual a origem? Quem criou e com quais propósitos? porque surgiu e desapareceu, ja que o artigo fala em "ressurgimento"?
A origem, contudo, ocorre nos 1950, pelo grupo avant-garde-revolucionário francês, primeiramente chamado Letristas, e depois Situacionistas. lSua primeira aparição foi na 'Introdução a uma Crítica da Geografia Urbana' (1955), onde dá uma definição compacta: 'o estudo dos efeitos do ambiente geográfico, conscientemente organizado ou não, nas emoções e maneiras, comportamentos e modos de ação, procedimentos e condutas, ações e atos de indivíduos'. Em 1992 recriou-se a London Psychogeographical Association,que ficou muito em voga este termo.
O que caracterizaria a psicogeografia são projetos carregados destas anotações urbanas de determinado ponto da cidade, como demolições, paradas de ônibus, mendigos, todos estes serviriam de inspiração para este tipo de cartografia, que redesenha o espaço urbano de acordo com a visão do artista e desafiam as representações institucionais. No fundo, este movimento tenta mostrar o outro lado que não está contemplado nos mapas oficiais, tipo, "a vida retratada como ela realmente é".

Para isso, o artigo traz uma crítica contudente sobre o estudo da cartografia, em que a execução destes mapas é em si é essencialmente problemático e contém falhas, porque (1) os cartógrafos controem estes mapas projetando uma cópia de mundo baseado numa realidade objetiva, confiável, o que para o artigo, o mapa é algo subjetivo, cuja visão de mundo quem constroi não é um mapa, mas sim a própria pessoa. (2) os mapas estariam sendo usados como arma de lutas políticas, de poder político, de dominação. O exemplo que eles citam foi quando a Grã-Bretanha invadiu a Irlanda, em que a primeira iniciativa foi de re-mapear a entrada do país, porque eles queriam assumir a autoria do mapa irlandês. Para eles, "os mapas são projetados pela potência dominante, e é por isto é porque eles têm poderosos documentos. Isto também porque eles são perigosos, e por isto que o recente movimento de artistas tentam recuperar a importância dessa cartografia".

A psicogeografia, então, funcionaria no preenchimento destes detalhes que não são vistos nos mapas oficiais: o cotidiano como ele realmente é, a vida urbana, das pessoas que moram naquele lugar, ou seja, conhecer e enxergar o lugar através destes artistas, isto seria possível.
Os projetos analisados e que nos ajudam a compreender a psicogeografia são: Every Bus Stop (sistema de transporte público, chamado Surrey, em crecimento num subúrbio de Vancouver). Contém 1800 imagens que foram tiradas pelos artistas para cada ponto de ônibus.

O Townsend Retraced, retrata um falido plano de 1970, em Ontário, Canadá) . O mapa identifica edifícios e lugares de interesse histórico que existiam em 1976 (arquivadas antes de ser modificado ou quando nivelados começou a construção da cidade) e era utilizado como uma referência para Stephan Rose da fotografia documentos, Hillary Martin's audio obras Laura Cunningham e da recolha de respectiva documentação, materiais, artigos museu e objetos.
A idéia deste projeto é ajudar a transmitir a história da utopia que, preenchendo as espaços vazios entre as zonas rurais com fragmentos de áudio,e figuras (passados e presentes) que demonstram o quanto é perdido numa visão oficial.


One Black Radius, um documentário psicogeografado de uma determinada área de Mahatan, Nova York. Tentam preservar a diversidade urbana e a história daquela localidade, o que poderia desaparecer facilmente, diz o artigo. A arquitetura cívica tendem a evitar a marginalidade, e podem ser remapeados atraves da arte, literatura, entre outras manifestações.

A proposta destes projetos é desafiar a veracidade destes mapas, ao mesmo tempo que tentam preencher esta lacuna. A fronteira entre projetos de arte digital e dos meios convencioanis, aborda o artigo, está na arquitetura da Web, na capacidade de armazenamento (leia-se base de dados) o que possibilita mais organização da informação cartografada. Vale retoamar neste ponto, a afirmação do teórico russo Lev Manovich, no seu livro "The lenguage of the new media", de 2001, de que as bases de dados se constituem como forma simbólica cultural da sociedade contemporânea, na qual se pode produzir uma diversidade de narrativas. As bases de dados estão no centro do processo criativo", diz Manovich.

Estes projetos nos convida a repensar a idéia de concepção dos mapas, não tanto pela rigidez de execução, simetria e sincronismo, mas pelos novos usos, novas funções que vem sendo exploradas na Web. A diferença desta psicogeografia, além das já citadas acima, é que estes artistas confere-lhes um novo sentido de lugar, não que antes fosse impossível de fazê-lo, mas que a combinação de talento dos artistas + funcionalidade da Web, projetam novos olhares, olhares diferenciados que muitas vezes passam despercebidos por nós, lugares invisíveis, eu diria. A psicogeografia traduz as aspirações de praticar novas narrativas urbanas, bem diferente das informações institucionalizadas, plastificadas que nos é impostas.
referências:

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