Saturday, December 13, 2008

A Era do Superpanopticon

Da série: Vigilância, privacidade e monitoramento, este foi o último e derradeiro texto debatido na aula de ontem: 'Cam Era'- the contemporary urban Panopticon. (Era da Câmera- O panopticon urbano contemporâneo), 2003. , de Hille Koskela (Departamento de Geografia da Universidade de Helsinki, Finlândia). Com a proliferação das Câmeras de vigilância por todos os lados, a autora se preocupa em entender a vigilância no espaço urbano, através destes dispositivos do Panopticon. Para isso, ela busca um melhor embasamento teórico em Focault que entende o espaço como crucial para explicar as relações de poder social. A argumentação central que norteia o artigo é de que não é só o espaço fundamental para o exercício do poder, mas o poder também criar um tipo particular de espaço.
Ignorando às críticas sobre a metáfora de Panopticon-definido por Jeremy Berthan, a autora ressalta que a vigilância pode ser usada para reforçar a homogeinização do espaço urbano. As tecnologias digitais aumentaram a vigilância o que a tornou mais delicada e intensa, e como consequência, fonte de conflitos nas relações de poder. Estaríamos, no entanto, vivendo uma era de da "superpanoticon", altamente vigiada e vigilante, e que esta vigilância extrapolou barreiras concretas: sai do físico para o virtual (WWW).

Transposta para o ciberespaço, esta tele-vigilância, como define a autora, problematiza e intensifica questões sobre a privacidade e os direitos humanos. Enquanto que o sistema de vigilância tradicional que apenas assistia pessoas anônimas, agora com as tecnologias, o anonimato é descoberto: rostos de pessoas em bancos, crimes, entre outros mecanismos.
"Tele-vigilância é o principal componente de representação e o controle que tem sido chamada de 'a era da grande ótica global'". (Virilo, 202, p. 294).
Ou seja, os meios eletrônicos agiriam como reforço do controle social informacional.

A autora ressalta que a tipologia dos lugares (p.295) é mais aplicável onde a regulação da vigilância é baixa (cidades da Inglaterra, Finlandia, Estônia) mas que, no entanto, sob a luz das idéias do Foucault, ela afirma que a vigilância varia de cidade para cidade, mas que quase todas as cidades ocidentais, o Panopticon esta presente em toda parte. A complexidade da política de ver e ser visto, a leva a um aprofundamento do espaço, que para Foucault é a fundamental base do exercício de poder (relações sociais, apoiado na tríade:poder, conhecimento e espaço. Pesquisadores e geógrafos têm enfatizado a "espacialização do poder" ao invés, replica a autora, de focar como o poder afeta a natureza do espaço- que é mais relevante- e que encontra vagueza no conceito de espaço.

A metáfora espacial de Foucault, afirma ela, tem sido explorada sem uma crítica mais séria e que teria várias implicações. A autora revela insatisfação quanto ao conceito de espaço de Foucault porque ele nunca sistematizou detalhadamente, mas o colocou como um espaço segregado- como prisões, hospitais, escolar e que a mudança na natureza do espaço foi ignorada pelo autor. A relação entre poder e espaço muda: não apenas o espaço é crucial para o exercício do poder, mas o poder também cria um particular tipo de espaço (Koskela, 2000). Este é seu principal ponto de sustentação argumentativa, embora reconheça que, por outro lado, o próprio espaço urbano é mais complexo do que as idéias de Foucault de prisões.

Para ela, "nas cidades, as pessoas podem metaforicamente, por vezes, ser preso, mas, mesmo assim, eles não estão sob isolamento mas muito pelo contrário: uma cidade é um espaço de encontros intermináveis" (p. 297). A cidade, insiste, é marcada pela diversidade e por conta deste aspecto, é impossivel de comparar com o Panopticon, mesmo presenciando mecanismos nítidos para vigiar as cidades.

Problemática da visbilidade: Dentre os mecanismos que compõem o arsenal do Panopticon, a visibilidade é o mais óbvio e reconhecido princípio. Mas a natureza básica do exercício do poder disciplinar envolve regulação através da visibilidade' (Hannah, 1997, p. 171). No espaço urbano, a visibilidade é aceita e de certa legitimada com a garantia de segurança, e onde para ela, há uma conotação de poder. Por outro lado, tem se realizado a idéia de Foucault do "sonho de uma sociedade transparente" (1980), onde tudo é subjugado para o controle social. Neste sentido, a visibilidade é importante quando há "medo dos espaços escuros" como as zonas de desordem. Ou seja, o olhar da câmera é calculado para excluir.

Entretanto, nem todas as câmeras são colocadas para serem vistas. Deste modo, a autora nos diz que a vigilância transcende as barreiras temporais e espaciais, ao mesmo tempo que as cameras podem ser entendidas como ameaças em vez de segurança e isso provoca emoções.
A autora coloca a vigilância como experiência emocional: sentimentos como vergonha e culpa garantem o auto-controle. Isto é, não precisariamos de cameras para nos viagiar. Por outro lado, não há como desvencilhar tais dispositivos nas cidades, embora nas cidades as pessoas não estão em confinamento, mas sim livres, e onde novas formas de controlar crescem involutariamente.

A vigilância, contudo, também se apresenta como reforço da exclusão social quando câmeras são usadas para monitorar grupos, cuja aparência é desviante. Ou seja, estaria colocando em prática a normatização do espaço urbano como assinala Foucault, e que desta forma, ressalta ela, reforça as relações de poder. Em um outro momento, as representações visuais estão ligadas à sexualidade: O Big Brother nos ajuda a compreender melhor: voyerismo, narcisismo, exibicionismos são atributos intrísecos ao fenômeno.

Koskela nos fala que a ausência de força física se configura como um valor do panotpicon: o anonimato como um valor positivo no espaço urbano. Metaforicamente, a câmera de vigilância é uma arma. Entretanto, ela ressalta que uma das tendências na questão da vigilância é o uso das bases de dados para vários propósitos: pesquisar pessoas, cruzamento de informações, entre outros. Mas que estas imagens são multiplicadas na internet- e em outros ambientes- e que transforma a vida num grande espetáculo teatral. Ou seja, banaliza-se o anonimato.

Em resumo, Koskela postula que:
*o espaço é mutável, e portanto, dificil de controlar
*Espaço é "como água cristalina" (Foucault)
*Não há modos de escapar da era do "Superpanopticon".

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