CARNET DE NOTES

wCARNET DE NOTES
André Lemos is Associate Professor, Faculty of Communication, Federal University of Bahia, Brazil. PhD in Sociology, Sorbonne (1995), Visiting Scholar University of Alberta and McGill University, Canada (2007-2008). Coordinator of Cybercity Research Group (UFBa/CNPq) and Researcher level 1 at CNPq. Member of Prix Ars Electronica, Wi. Journal of Mobile Media and Canadian Journal of Communication Board. This Carnet is online since March 1st, 2001.


wArchives

POSTS 2001 - 2010


Links para o Carnet
 

VÍDEO AO VIVO DO CELULAR


DERIVAS AO VIVO!

GPS tracking powered by InstaMapper.com




Visit Ciberativismo


CARNET'S QRCODE

qrcode

IBSN: Internet Blog Serial Number 00-15-12-1997




BIOS

CV Lattes/CNPq

Mini CV

Books

Articles/Papers/Essays

RESEARCH

Program in Contemporaries Communication and Culture

Cybercity Research Group (GPC)

Wi-Fi Salvador

cyBeRpunk (2000) (Finished)

Hypertext (1998) (Finished)

CyberUrbe/ IV SoulCyber (2004) (Finished)

LECTURES BLOGS

Communication and Technology

Mídia Locativa (Finished)

Cyberculture, First Steps (Finished)

Cyber-Philosophy (Finished)

ART PROJECTS

p align="center">TWITTERATURA

IDENTITÉ

SUR-VIV-ALL

Ciberflânerie

https - high tech total popular stickers

Videos

Photos

Windows of the World (Finished)

PUBLICATIONS

404nOtF0und

Cyberculture Mailing List

MY BOOKS











Andre Lemos's currently-reading book recommendations, reviews, favorite quotes, book clubs, book trivia, book lists

Locations of visitors to this page



IDENTITÉ, Montreal, Canada (NEW!)


SUR-VIV-ALL, Edmonton, Canada (NEW!)


WI-FI SALVADOR (NEW!)


CIBERFLÂNERIE (NEW!)


Mais CiberFlâneries aqui (NEW!)



FEEDS DO CARNET


Add to My Yahoo!
Subscribe with Bloglines
Blogarithm
Add to Technorati Favorites!

Bloggers' Rights at EFF

Support CC - 2007

Creative Commons License

Llicenciada sob Creative Commons.


Powered by Blogger.
wSaturday, December 19, 2009


Announcing a Child's Death on Twitter




Gostaria de fazer um rápido comentário sobre o anúncio da morte do filho pela mãe no Twitter, reportado aqui no NYTimes.com. Este fato mostra, por um lado, o isolamento presencial e, por outro, a sociabilidade online crescentes na cultura contemporânea.

Normalmente comunicamos em redes sociais "online" (blogs, twitter, facebook, orkut, etc.) e "offline" (com amigos, familiares, colegas em diversos ambientes do dia a dia), com entusiasmo, momentos felizes e também, com pesar, momentos mais graves como doenças e perdas de entes queridos. Compartilhar faz parte dos ritos sociais e existem desde sempre e é esse compartilhamento que reforça os laços sociais. Quem usa o Twitter e blogs sabe como as pessoas anunciam boas novas e como elas se queixam das dificuldades do dia a dia. Mais raros, mas não inexistentes, são anúncio de momentos mais graves como doenças, mortes ou suicídio. Há alguns meses, no Brasil, a blogueira Ematoma, supostamente comunicava seu suicídio via Twitter (parece que não foi suicídio, e sim assassinato, mas os twitts pareciam escritos por quem estava realmente se despedindo). Vejam detalhes abaixo e aqui no link.


blog do professor pc


"Blogueira Ematoma se suicida e despede-se via Twitter - http://twitter.com/ematoma
"bai pipou! Foi bom brincar com vocês! bjo bjo". Foi com essas palavras que a blogueira Marisa Toma, mais conhecida como @ematoma se despediu em seu Twitter, dona do blog Objetos de Desejo que discute moda e tendências, Marisa aparentava ser uma pessoa bem antenada e inteligente, as duas últimas mensagens deixadas em seu Twitter demonstram que a blogueira já devia estar planejando o suicídio:
- bai pipou! Foi bom brincar com vocês! bjo bjo
- tomando algumas decisões bastante definitivas"


Agora, Shellie Ross comunica, via Twitter, a morte do seu filho de 2 anos, afogado na piscina de sua casa. Rapidamente a notícia se espalhou pelo Twitter e nos blogs com mensagens de suporte e ajuda e outras acusando a mãe de negligência (se alguém posta em um momento desses é por que dá mais atenção ao Twitter do que ao filho, etc.). Não há evidências de que essas acusações levianas e perversas tenham qualquer fundamento. Notem na citação abaixo do NYT que a mãe lançou a notícia no Twitter 5 horas depois do acontecido (ela nao estava twitando quando ocorreu o fatou ou nao saiu no mesmo momento para colocar a notícia no blog e Twitter). Em outra matéria, do thetowntalk.com, a polícia afirma que o Twitter não teve nada a ver com a morte do menino.Parece ser mais uma incompreensão do meio e da potência afetiva e social das mídias pós-massivas, das redes sociais que dão alento e suporte emocional. Ross parece ser uma mãe dedicada e que usa blogs e Twitter como espaço de socialização.

Há quase exato um ano atrás, transmiti, pelo celular via Qik, o nascimento do meu segundo filho, Bernardo. Também recebi críticas e elogios. Hoje o vídeo está em privado. Não sei se compartilharia momentos de extrema tristeza. Mas não se trata aqui de julgar a mãe, que não conheço e não sei como tratava o filho ou como ela usa a internet. Os depoimentos nos levam a acreditar que Ross é uma mãe atenciosa. Talvez, se não fosse, não colocaria a notícia no Twitter e no Blog. O que está em jogo aqui é a força comunitária e de suporte afetivo das redes sociais como forma de amenizar o isolamento e a solidão cada vez maiores nos grandes centros urbanos.

Vejam aguns trechos da matéria do NYT escrita por Lisa Belkin:

"Shellie Ross, Bryson's mother, is a popular blogger, who chronicles her life as a mother of four, and the wife of an Air Force sergeant, and whose Twitter account, @Military_Mom, has more than 5,400 followers.

She tweeted those followers at 5:22 p.m. Monday, with a breezy update about the fog rolling in and spooking the chickens as she worked in her chicken coop. Sixteen minutes later, a 911 call was placed from her home saying that Bryson was lying at the bottom of the pool. At 6:12 p.m. she tweeted again: 'Please pray like never before, my 2 yr old fell in the pool.' And five hours later, she wrote that she was 'remembering my million dollar baby,' posting photos of the little boy. (Some of these tweets and photos have since been removed.)

Not long after that, a firestorm erupted on Twitter, with strangers wondering what kind of mother tweets during a crisis. The debate has been going on for days around the Internet, with critics calling Ross callous (and suggesting that if she had been paying as much attention to her child as she had to her Twitter account, her son would not have come to harm) and supporters (many who know her in real life, and others who have never met her) describing her as a caring mother who reached out to her virtual community during a tragedy.(...)

McGraw's Twitter account lists her hometown as being Bucks County, Pa., which is near Allentown.?? Asked by Florida Today if she thought it was appropriate to attack a woman she doesn't know who just lost her son, McGraw responded: 'If she didn't want questions raised at such a painful time, perhaps she shouldn't have tweeted immediately after her child died. A child is dead because (of) his mother's infatuation with Twitter.'

Unlike McGraw, Shari Keating knows Ross and considers her a friend. They met via blog and social-networking conferences. (...) Keating called Ross a fantastic mother who is devoted to her children. Ross has two other sons, 18-year-old Cody and 11-year-old Kris. 'To judge her, I think, is appalling,' Keating said. 'You have to realize that blogging is a community.'

Yes, it is. And it feels perfectly logical to me that Shellie Ross would reach out to that community with her pain. We all go through life supported by emotional scaffolding, a support system we don't see until tragedy strikes, and then the veil lifts and it becomes fleetingly visible.

For so many of us, sometimes without realizing it, that scaffolding is shored up by people we have never seen, but with whom we communicate regularly. I would wager this is particularly true in the world of Mommy blogs, which were created by women precisely because they felt isolated in a new role.

Looked at through that lens, Ross's tweets are not an example of the misuse of the Internet, but rather of its potential and power.(...)"


A internet e as redes sociais não isolam. O isolamento vendo sendo construído por séculos de uma modernidade individualista. Vemos a cada dia crescer formas de luta contra esse isolamento, formas de colocar em ação uma pulsão gregária, seja ela política, social ou pessoal. É para romper o isolamento, para tocar o outro, que as novas ferramentas de comunicação encontram o seu uso mais nobre. Informar, trabalhar, se entreter é fantástico, mas o mais importante e profundo é mesmo a possibilidade de instalar a conversação (ver post anterior), de romper o isolamento e de comunicar, essa ação em comum possível e improvável (Luhmann). Ross queria falar do seu momento de dor, buscava algum consolo e acolhimento afetivo para a sua dor entre os seus, próximos e distantes. Como sempre, colheu afagos e também agressões. É vida social, como ela é.

Labels: , , ,



posted by André Lemos at 6:23 AM - Permalink - Postar um Comentário


wSaturday, September 12, 2009


Good Morning

Várias pessoas dão "bom dia" quando entram no Twitter. Agora é possível ver 11 mil pessoas saudando um novo dia em várias línguas no período de 24, entre 20 e 21 de agosto. Como todo mapa e visualizações do globo são ideológicas, notem que o olho vê prioritariamente o norte. Mas dá pra notar como pulsam os twitters no Brasil. Vejam o vídeo abaixo do GoodMorning! First Render on Vimeo

GoodMorning! First Render from blprnt on Vimeo.

Labels: , ,



posted by André Lemos at 7:07 AM - Permalink - Postar um Comentário


wSunday, July 05, 2009


Social Network and Locative Media

Dois blocos neste post. Primeiro uma discussão sobre as reconfigurações das redes sociais e o papel crítico dos bloggers, ou a perda deste, com novas ferramentas como Facebook e Twitter. Depois 10 pontos para se pensar, proposto por Jan Chipchase a confiabilidade nas redes e as estratégias de privacidade. No segundo bloco, mídias locativas. Primeiro, comentário e vídeo sobre o projeto Color by Numbers, que usa interação entre celulares e paisagem urbana e depois a conferência de Timo Arnall, no LIFT09, em vídeo, sobre RFID e a "internet das coisas". Vamos lá:

1. Redes Sociais Online

Interessante texto de Eduardo Navas, escrito para o Interactiva 09 Biennale, no Remix Theory, ?After the Blogger as Producer? anailisando as redes sociais e principalmente a influência do Facebook e Twitter no papel crítico dos bloggers. O texto parte de um primeio artigo dialogando com o "writer as a producer" de Benjamin. Aconselho a leitura do texto na íntegra. No final, Navas vai argumentar que

"in 2009 Internet users are no longer encouraged to blog about a subject they know well; instead, people are encouraged to simply tell others in their network what they are up to. ?What are you doing? is the phrase that welcomes users in Twitter, and ?What?s on your mind? plays a similar function in Facebook.".

Ele tem razão, mas devemos estar atentos a uma possível transformação, também interessante, mas de ordem inversa. O uso do Twitter tem evitado posts de uma única frase em blogs, fazendo com que estes ganhem importância como lugar de crítica e de reflexão, de um tempo distentido de uma escrita mais atenciosa. Mas, efetivamente, a crítica de Navas é pertinente. Por exemplo, já ouvi várias pessoas (inclusive conhecedoras do assunto) falares que com os novos microblogs não precisaríamos mais de blogs. Mais uma vez, se o pensamento for substitutivo, só haverá perdas. A lógica deve ser sempre a reconfiguração.


Foto Jan Chipchase

Em Practices Around Privacy, Jan Chipchase aponto 10 pontos para se pensar como, em determinados países, as pessoas lidam com confiabiidade de redes e dispositivos e com a compreensão do que seja privacidade. Vejam o texto na íntegra e os 10 pontos abaixo.

"1. People who don't trust their government (whether they live in the UK, the US or Iran) tend to not to have much trust in the networks that carry their communication. But just because they don't trust it doesn't mean they don't use it - in particular the ease of connecting to the people that matter often trumps the risk of perceived breaches to their privacy, security.
2. Even if people are able to rationalise why they shouldn't use the network e.g. the risk of being arrested, events can take over. They may feel that as part of a large crowd they won't stand out; they may be caught up in the heat of the moment and turn to the tools they know; or simply at that moment in time the network is the least worst option.
3. People have very fuzzy mental models of how the network functions - for example not understanding where data is stored, or the implications of different types of storage. It doesn't take much imagination to understand the implications of using online backup services like MobileMe or Ovi Share in situations where, rightly or wrongly, people percieve the network to be compromised.
4. Mobile phone's don't need the network to be useful: they often include cameras and video cameras, in many urban centers adult penetration is ~100%, they are carried everywhere putting them in a prime position to capture and later share experiences - the Neda video is a good example.
5. In some countries side loading media is common - be it via cable, memory card, or Bluetooth. The practice of BluetoothMe - flirting and sharing files via Bluetooth is reasonably common amongst the youth in the Middle East and to some extent Iran with sensitive material being transferred from phone to phone in this way. It's not particularly practical except in contexts where people know each other and where people and devices are likely to remain in range with one another - the lecture theatre, the bus, the subway. Keep an eye on what's happening with micro-USB for data transfer going forward.
6. For all the discussion around sophisticated network tracking - interception often boils down to the man with the uniform and the truncheon checking your camera, your phone's inbox, your call log. Those photos of your mate throwing a gas canister? It puts you in a time and place.
7. The more there is at stake the more people will strive to understand the trade-offs in connecting to the system or network. And vice versa - if you've grown up around a good network access and, say location positioning then that's just how life is - there is less reason to question. Ditto censorship.
8. Increasingly the choice of whether to adopt, or opt-in to a technology is one of whether to opt-out of society.
9. People tend to adopt strategies to separate very private communication from the merely private, but in a world of cookies and call logs it's increasingly difficult to keep the two apart. If you have the time take a peek at the features that support very private communication (typically extra-marital affairs) on some Japanese mobile phones.
10. In any country where tracking is considered widespread - be careful about gifts from strangers. You never know where that mobile phone or SIM card has been and whether it makes you a target."


2. Mídias Locativas

Post do asquare mostra mais um projeto aliando tecnologias móveis e espaço urbano, Colour by Numbers. Aqui o usuário pode escrever o espaço com dispositivos portáteis digitais, modificando as paisagens urbanas. Vejam também o interessante artigo, Claiming Space. Abaixo vídeo com o trabalho e explicação dos criadores.

"A window full of light has many connotations in the context of a modern city. It can make visible a section of the private sphere, or attract passers-by to public spaces, like department stores, churches or museums. (...) The cityscape becomes a kind of mass medium. In this case, this means that a relatively flexible area contacts a broad and diverse public. The mass medium is a physical area, a place where you can write a message. (...) Cell phones and the internet are also media that create space. Their public nature both complements and competes with the tower?s spacial visibility. You can control the signals with your phone, and you can see them on location or on the internet. The technology is accessible for the individual. Which is good - the public space should be open to any person or usage that gives others the same freedom."



Por último, vídeo da conferência de Timo Arnall, do Oslo School of Architecture, no Lift09, em Marselha. Na sua fala que tinha por tema "Making Things Visible", o autor fala sobre RFID e a internet das coisas. Vejam como a metáfora do "download" de informação do ciberespaço, que usei em útlimos artigos, funciona bem aqui.

Labels: , , , , ,



posted by André Lemos at 10:25 AM - Permalink - Postar um Comentário


wSaturday, June 27, 2009


Twitter Fiction



Vou adaptar um livro inacabado, Reviravolta, para o twitter. História de viagem, na e fora da rede. Posts todo sábado, com o marcador "&". Para seguir é so apontar para http://twitter.com/andrelemos. Já havia testado um microconto e agora arrisco uma ficção, em pílulas semanais, sem saber quando termina...

Labels: , ,



posted by André Lemos at 6:33 PM - Permalink - Postar um Comentário


wWednesday, June 17, 2009


Fim de uma Era!


Pensem nisso.




1. Esta semana os EUA desligaram a TV analógica, selando o fim de uma era e a hegemonia da convergência digital.


2. Nas eleições do Irã, após denúncias de fraude, o governo fechou acesso ao Facebbok, BBC, YouTube e blogs, mas esqueceram o Twitter.


Resultado:


" (...) They forgot about Twitter, and rebellious Iranian students have since been using that site to talk with one another, organize protests, and spread descriptions and images of what is really going on inside Iran throughout the world. (...) An editorial posted on Al-Jazeera, written by a young Iranian woman who supports Mousavi, described the activism of the youth and social elite:"They are also taking advantage of new media, such as Facebook and Twitter, to spread their message and bolster their cause with downloadable brochures, slideshows and video clips. Chain emailing and text messaging of satiric anti-Ahmadinejad jokes is another successful effort they have pioneered; it is not uncommon to receive up to 10 new quips a day... Not permitted the option of ads on state-run television and radio, this tech-savvy youth base has, instead, unleashed a creative street-and-cyberspace campaign that is gaining momentum day by day. Andrew Sullivan has collected mountains of information and photos from Iran simply through Twitter. "It reveals in Iran what the Obama campaign revealed in the United States. You cannot stop people any longer," he says. "You cannot control them any longer. They can bypass your established media; they can broadcast to one another; they can organize as never before." In fact, one popular category on Twitter at the moment - #CNNFail - is dedicated to begging Western news outlets like CNN to give more coverage to the events evolving in Tehran. While we wait to see what will happen next in Iran, sites like Facebook and Twitter, along with their young and tech-savvy users, are redefining the word revolution." (...) Andrew Sullivan has collected mountains of information and photos from Iran simply through Twitter. "It reveals in Iran what the Obama campaign revealed in the United States. You cannot stop people any longer," he says. "You cannot control them any longer. They can bypass your established media; they can broadcast to one another; they can organize as never before." In fact, one popular category on Twitter at the moment - #CNNFail - is dedicated to begging Western news outlets like CNN to give more coverage to the events evolving in Tehran. While we wait to see what will happen next in Iran, sites like Facebook and Twitter, along with their young and tech-savvy users, are redefining the word revolution."


3. Agora, no Brasil, está caindo, decisão em andamento neste momento, mas dada como certa, a obrigatoriedade de diploma de jornalista no Brasil. Isso não significa que "qualquer um" seja jornalista, mas revela efetivamente uma nova era, e vai fazer com que a formação e a postura das midias e dos profissionais mude também.

O fim da TV analógica no EUA, a emergência de um microblog banal, criado para que as pessoas digam o que "estão fazendo agora", sendo usado no Irã para combater supostas irregularidade nas eleições em um país totalitário, e o fim da exigência de um diploma para que se possa se exercer a profissão de jornalista no Brasil (aquele profissional que tem como métier disseminar informação e analisar fatos relevantes da atualidade) mostram a emergência do que tenho chamado de era pós-massiva. Efetivamente, trata-se de um sintoma da crise comunicacional planetária, abrindo inúmeras possibilidades para se questionar dogmas, certezas, formações profissionais, reservas de mercado, regimes totalitários. Emerge aqui uma nova cultura das mídias agora realmente sociais, trazendo a conversação, outrora obnubliada e desistimulada pelos meios massivos informacionais, à tona.

"O que vc está fazendo agora" parace ser a máxima da época. Importa o que todos fazem, importa as vozes em conversação. importa as ações colaborativas e politicas de baixo para cima. O que você, pessoa comum, fora dos centros de controle, dos círculos de poder e do controle editorial da informação, "está fazendo agora" nunca foi tão importante. Dizendo isto, você pode emitir livremente, conectar-se a outros e reconfigurar o mundo a sua volta. Os exemplos acima mostram que o fim de uma era está em andamento.

E você, o que está fazendo agora?

Labels: , , ,



posted by André Lemos at 8:07 PM - Permalink - Postar um Comentário


wTuesday, June 09, 2009


Twitter Thoughts



Sobre o Twitter já postei aqui e aqui, entre outros. Muitos comentários no próprio Twitter e vários artigos aparecem aqui e acolá. A partir do último texto do S. Johnson no NYT e do In defense of Twitter" no BLDG Blog de Geoff Manaugh, deixo aqui alguns pensamentos, no estilo Twitter, sobre o Twitter em meio a uma virose que me derruba:

- Twitter não é como um Moleskine, para notas pessoais, em segredo,
- É rede social. Pequenos fragmentos de pensamentos ou notas banais para tocar a si mesmo e ao outro.
- Ninguém entende no começo para que serve, depois todos entendem e adoram. Assim como a banalidade e a frivolidade do quotidiano.
- É ferramenta de "mindcasting" ou de "seed of an idea" (Jay Rosen da NYU). Idéias podem germinar em aulas, blogs, livros, artigos...
- É um "ambient awareness" (Clive Thompson).
- Serve para ampliar espacialmente a conversação de qualquer coisa. Vejam o uso das "hashtags", tipo "#qualquercoisa" (inventadas pelos usuários, assim como o "@" para se referir a algum twitter)
- É um instrumento que ajuda a criar e reforçar o capital social. Me sinto próximo de pessoas distantes e sinto que elas se aproximam de mim.
- É um ótimo instrumento para receber drops de informações, linkadas ou não em micro URLS.
- Um "quick work in progress". Para passar e guardar sentimentos ou pensamentos como haikais!
- É um "lugar" para desabafos, tipo #prontofalei, para narcisismo e construção de subjetividade.
- Instrumento para novas formas artísticas ainda pouco exploradas - micro-contos, haikais, poesia...
- Cria uma temporalidade de micro-ações em micro-pensamentos, micro-sentimentos, micro-comentários, micro-informações...
- Buracos negros da informação, da sociabilidade e do desabafo: alta densidade em poucos caracteres.
- São os aforismos da era da cibercultura. Nano-posts condensando o mundo.
- Prova de que small is beatiful e que menos pode ser mais?
- O twitter só faz sentido em um mundo de abundância, onde o micro se destaca do macro. Onde há o macro, busque o micro, onde há o micro, busque o macro!

To be continued!

Labels: , ,



posted by André Lemos at 2:59 PM - Permalink - Postar um Comentário


wWednesday, May 06, 2009


Twitter

Ainda sobre o Twitter no post de ontem sobre o caos das chuvas em Salvador, esqueci de fazer referência ao ótimo texto "In defense of Twitter" do BLDG Blog de Geoff Manaugh. Discutimos rapidamente este texto, via Twitter, a algum tempo atrás com a @raquelrecuero e o @palacios49. Na ocasião eu concordava com os dois que afirmanvam que o texto era muito bom. Ponderava, entretanto, que no texto o autor esquecia uma dimensâo fundamental do Twitter, e era justamente aquilo que o diferencia das notas pessoas, dos caderninhos e dos moleskines: a rede. Eles concordaram comigo.

Não, o Twitter não é como um Moleskine, para notas pessoais, em segredo, escrevendo sozinho aquilo que não podemos ou não queremos esquecer, pequenos fragmentos de pensamentos ou notas banais.



No post de ontem, foi a dimensão de rede social do Twitter que fez a diferença. Uma diferença marcante como mostrei ontem em relação às outras mídias de massa - tendo no rádio, a mais ativa dentre estas.

Labels: , , ,



posted by André Lemos at 5:28 AM - Permalink - Postar um Comentário


wTuesday, May 05, 2009


Twittando até debaixo d´água

...ou "Fui no Tororó, beber água e me afoguei!" #Salvador #chuva
(do twitter hoje...


TwitPic de eslinie, a primeira foto que eu vi hoje do caos

Hoje caiu um dilúvio em Salvador e, em poucas horas, a cidade ficou completamente debaixo d´água. Estava dando aulas e, às 12h, recebi várias ligações e não sabia de quem era. Depois descobri que era de uma amiga da minha filha, que havia esquecido o celular, tentando me avisar que elas estavam ilhadas na porta do colégio sem ter como sair. A rua em frente estava completamente alagada. Até então não sabia disso e nem do caos na cidade. Deixei para lá as ligações e me preparava para voltar para casa.

Saí da Facom às 13 horas e encontro, ainda dentro do Campus, um engarrafamento gigantesco. A avenida em frente, a Adhemar de Barros em Ondina, estava alagada. Liguei para casa e soube da minha filha presa na escola e das enchentes no meu bairro. Resolvi então ligar o rádio, no carro, e o Twitter, no meu celular. Chovia, mas não muito. Do rádio ouvia depoimentos de pessoas principalmente sobre a situação do transito. No Twitter, um show de informação com detalhes de acidentes, notícias de arrastão na Barra e na Paralela, links para fotos no TwitPic e outras informações e, claro, infos do trânsito caótico. E tudo isso em tempo real, como uma conversação coletiva. Muitos escreviam sobre o silêncio das TVs e dos jornais locais sobre o que acontecia "aqui e agora".

Vejam essa sequência para ter uma idéia:

Sem ter o que fazer resolvi voltar para a Facom e, da minha sala, fiquei acompanhando as coisas pelo Twitter. Fui ver alguns jornais online locais mas não achei nada muito...informativo, ou algo que me servisse imediatamente e localmente. Abandonei e voltei ao Twitter, muito mais intenso, rápido e detalhado. E não tinha mesmo como ser diferente. No Twitter, acompanhado a tag #chuva e #salvador eram inúmeras pessoas escrevendo em tempo real, como no exemplo acima. Dei um tempo e resolvi encarar a cidade e voltar para casa.

No caminho, aproveitava os sinais fechados e os engarrafamento para atualizar o Twitter sobre o que via por onde passava: os carros quebrados, carros em posições perigosas parados e abandonados na contramão, a inexistência de agentes de trânsito ou policiais, os engarrafamentos...ia escrevendo, dirigindo e lendo os replies que me chegavam. No Twitter, diferente do rádio que continuava a ouvir, várias pessoas me respondiam imediatamente sobre o que eu postava. Eu escrevia: "orla engarrafada. vou pegar a Garibaldi' e rapidamente recebia um reply: "Garibaldi tb engarrafada tb, levei 1 hora para chegar na Tancredo Neves"... E assim foi até que consegui chegar em casa.

E continuava ouvindo o rádio, a única mídia massiva que realmente desempenhava um papel importante nessa crise. Eu escrevia e lia no Twitter as informações e, ao mesmo tempo, ouvia o rádio. O meu sentimento era de estar imerso em um ambiente midiático com duas ferramentas complementares e muito similares. O rádio funcionava com uma espécie de Twitter sonoro. E havia remediação: o Twitter falava de coisas que circulavam no radio, embora as estações de rádio não fizessem referência ao Twitter. Elas não estavam mesmo vendo o que se passava no Twitter, desconheciam completamente esse novo ambiente. No rádio, também, as pessoas interagiam, mas indiretamente é verdade, mediadas pelos âncoras dos programas os dos flashes de notícias. Nada dessa cobertura massiva chegava sequer perto da completude e da velocidade do Twitter. Este mostrava-se conversacional, interativo, para usar uma palavra que está saindo da moda, comunitário, local, multimidiático, atento aos contextos e aos interloctures!.

Tivemos hoje um show de mídia alternativa e uma mostra de como os veículos massivos locais estão realmente perdendo o bonde da história. Definitivamente, eles precisam se adaptar à potência da informação bottom-up, aberta e conversacional, funções estas que tenho chamado de "pós-massivas". Jornais online e as TV locais praticamente ficaram em silêncio. Os jornais impressos só vão falar do caos amanhã mesmo, quando tudo já passou. Agora, as 19h, em casa, vejo as imagens da cidade, com uma sensação de "déjà vu". Atrasadas, elas me dizem o que eu já sei. Estariam as mídias massivas destinadas a fazer arqueologia do passado imediato?

Para ver o que aconteceu no Twitter busquem as tags #chuva e #salvador. Vejam também o interessante post da Paula Goes sobre o uso do Twitter em Salvador.

Os gigantes da mídia "foram no Tororó beber água e se afogaram!"

Labels: , ,



posted by André Lemos at 5:47 PM - Permalink - Postar um Comentário


wSaturday, January 03, 2009


Qwitter



Post do Networked_Performance mostra o Qwitter, "the Darwinian side of social networks" que usa o Twitter para dizer (o sistema te envia um email) quando pessoas deixam de te seguir e depois de que post no famoso micro-blog. Abaixo a explicação (!!!!!)

"It has been argued that getting constant updates from the social network helps the user to develop a sort of social sixth sense that facilitates face-to-face relations, but many commentators see Twitter as the most pointless and addictive internet fad. Qwitter is an additional web service in the Twitter ecosystem that might be seen either as a tongue-in-cheek satire or as a smart exploitation of micro-blogging's intrinsic weaknesses. Qwitter, not affiliated with Twitter, interfaces with the main system and provides a missing feature: the notification of the users that unsubscribe to your updates. The 'quitters' will be exposed with a message like: 'John Gruber (gruber) stopped following you on Twitter after you posted this tweet: What's the difference between Arial and Helvetica?'. The implications of this simple notification are far from trivial (...)

(...) But Qwitter intervenes in an ambiguous territory pushing information sharing toward the paradox and potentially disrupting the mood that informs platforms like Twitter. Is Qwitter an effort to educate people to more responsible and meaningful acts of communication? Intentionally or not, it provides a sharp commentary of the attention economy in the age of web 2.0: if everybody can communicate, everybody is in perpetual competition."

Labels: , ,



posted by André Lemos at 7:04 PM - Permalink - Postar um Comentário


wFriday, August 22, 2008


Microconto

Meu microconto no concurso 140 letras:

"Sonhava, caiu (bababadalgharaghtakamminarronnkonnbronntonnerronntuonnthunntrovarrhounawnskawntoohoohoordenenthurnuk) e no finn acordou."

Labels: , ,



posted by André Lemos at 2:41 PM - Permalink - Postar um Comentário


w


Twitter-Arte



Hoje twittava perguntando aos meus contatos se eles conheciam alguma forma de "twitter-arte". Algo que quebrasse a monotonia de informações pessoais, profissionais ou das breaking news. O twitter nasceu em 2006 com a simples idéia de pessoas dizendo o que estão fazendo naquele momento: simples, direto e efetivo. Aí começam as dicas de sites (e TinyURL), infos locais, a grande mídia, microcontos... o que mais?

Tomo hoje conhecimento do primeiro concurso brasileiro de microcontos do Twitter. Esse tipo de concurso não é novidade, mas é a primeira vez no Brasil. Vejam mais sobre o concurso no Twitter / 140letras. Até dia 20 de setembro. Quem quiser participar tem que escrever #140 antes do microconto...

Mãos à obra!

Labels: , ,



posted by André Lemos at 2:07 PM - Permalink - Postar um Comentário


wMonday, May 12, 2008


Twitter Crowdsourced

MAis um exemplo da eficiência das mídias pós-massivas em situações de crise. O Twitter está sendo usado como fonte de informação durante os trabalhos de resgate e ajuda ao terremoto que sacudiu a Chine ontem...(via Smart Mobs).

"A major earthquake measuring 7.8 on the Richter scale jolted Wenchuan County in China?s southwestern Sichuan Province Monday afternoon. Details were given in an early report from Xinhua on Thaindian News

The Online Journalisme Blog of Paul Bradshaw keeps us posted on twitters crowdsourcing role. Also read what BBC states about the twitter coverage and see how Summize wraps up China?s latest earthquake info.

While the mainstream media scrambled to put up their 'breaking news' headlines, on Twitter we had pictures, maps, videos all being sent in real-time, says VentureBeat. Young Dutch Twitterer CasperOdJ was one of the first live reporters from Chengdu China.

'A major earthquake measuring 7.8 on the Richter scale jolted Wenchuan County in China's southwestern Sichuan Province Monday afternoon. Details were given in an early report from Xinhua on Thaindian News'

The Online Journalisme Blog of Paul Bradshaw keeps us posted on twitters crowdsourcing role. Also read what BBC states about the [...]"

Labels: , , ,



posted by André Lemos at 9:52 AM - Permalink - Postar um Comentário