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André Lemos is Associate Professor, Faculty of Communication, Federal University of Bahia, Brazil. PhD in Sociology, Sorbonne (1995), Visiting Scholar University of Alberta and McGill University, Canada (2007-2008). Coordinator of Cybercity Research Group (UFBa/CNPq) and Researcher level 1 at CNPq. Member of Prix Ars Electronica, Wi. Journal of Mobile Media and Canadian Journal of Communication Board. This Carnet is online since March 1st, 2001.


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wFriday, September 18, 2009


Miopia dos Mapas

Tenho que ir agora a um banco para resolver um problema, mas não sei exatamente onde ele fica. Entrei no seu site, peguei o endereço mais próximo da minha casa, cliquei na opção mapa e abri no Google Maps. Vi que fica mesmo perto, mas queria saber exatamente onde, em que prédio e a que distância da minha casa para ver se posso ir a pé. Bom, sei que dá para ir a pé, mas não sei exatamente onde ele fica. Sei mais ou menos, mas não exatamente. Um mapa impresso não me permitiria a navegação, mas me informaria exatamente onde ele está. Não poderia mudar de escala e realizar "zoom out e in", mas poderia ver com mais precisão. Bom, poderia se o mapa fosse um mapa de bancos e não um mapa da cidade. Com o mapa impresso genérico da cidade eu não poderia perguntar onde fica o banco mais próximo da minha casa, nem navegar para dentro ou fora, para norte ou sul. Com o mapa digital tenho a navegação e a busca em banco de dados, que me ajuda muito, embora impreciso. Navegar é impreciso! Aqui, nos mapas digitais tipo Google Maps, temos um erro que se assemelha em muito a um movimento, a um erro de navegação, a sombras nos traçados, a erros dos indicadores de latitude e longitude, de mimetismo dos mapas de ruas e das fotos aéreas. A miopia do Google Maps coloca, como voces podem ver abaixo na imagem, o banco no meio da pista, entre os carros.



Isto mostra os desvios e as imprecisões dos sistemas de localização . Se fosse seguir ao pé da letra, talvez, no meu caso, eu morresse atropelado. O exemplo me lembrou os trabalhos de Aram Bartholl Netzdatenwelt vs. Alltagslebensraum que brincam justamente com essas imprecisões colocando marcadores "reais" nos lugares "exatos" indicados pelos erros dos sistemas. Isso mostra que o mapa produz o território e as relações de espacialização daí derivadas, que eles nunca são miméticos com o espaço real e que a localização é sempre relativa e só se estabelece pelo jogo com os erros e as imprecisões.

Navegar é mesmo impreciso!


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posted by André Lemos at 8:40 AM - Permalink - Postar um Comentário


wTuesday, July 28, 2009


Mapas

No último post falávamos dos mapas digitais e navegação por GPS no caso do uso em automóveis. Mostrávamos como, segundo os autores dos textos apresentados (ver post Get Lost), esse tipo de deslocamento baseado em navegação por instrumentos estaria matando o conhecimento local e as formas de sociabilidade com os "locais". Não precisamos interagir se um dispositivo me diz quando e onde virar. Agora dois projetos com mapas mostram a força que os mesmos têm para, justamente e contrariamente, produzir conhecimento local e engajamento comunicatário com os habitantes de uma determinada localidade. O primeiro projeto tem uma dimensão mais local e o outro, embora local, convoca para uma cidadania global.



O primeiro é o Wikimapa, projeto brasileiro de mapeamento de pontos de interesse para comunidades de baixa renda no Rio de Janeiro (e também disponível para outros Estados), particularmente nas comunidades do Complexo da Maré, Complexo do Alemão, Sanra Marta, Pavão Pavãozinho e Cidade de Deus. O projeto engaja "mapeadores" que alimentam o mapa com dicas e comentários. O projeto desenvolveu um programa para que esse mapeamento possa ser feito por celulares. Abaixo a descrição no site:

"O WIKIMAPA é um mapa virtual georeferenciado de ações e ativos, alimentado de forma colaborativa pelos mais diversos participantes, por meio do telefone celular ou internet.

Com o wikimapa é possível inserir e/ou consultar informações sobre diferentes lugares (escolas, hospitais, igrejas, clubes, bares, lan houses e etc) do país e editar comentários e referências sobre os locais já mapeados, compartilhando informações e conhecendo novas possibilidades de entretenimento, lazer, educação, saúde, cultura, entre outros.

O diferencial do projeto é o mapeamento de ruas e vielas de comunidades de baixa renda ? até então não realizado pelos serviços de pesquisa e visualização de mapas na internet ? além do mapeamento de ativos dessas comunidades, realizado pelos próprios moradores."


Vejam que o que está em jogo aqui é justamente produzir conhecimento local, engajar a comunidade com seu espaço vivido - o lugar. Aqui as mídias locativas não só podem ajudam a criar e expandir o conhecimento local, como também aumentar os vínculos e pertencimentos sociais.



O outro projeto é o "I'm doing my part" que mapeia em tempo real protestos e ações sociais ao redor do planeta a partir do Social Actions API, cruzando informações de plataformas como VolunteerMatch, Kiva.org, DonorsChoose.org, Idealist.org e Change.org. Podemos ver no mapa as ação em tempo real em todas as partes do mundo no momento mesmo em que são produzidas. Mais uma vez, a informação localizada é aqui exposta, oferecendo um conhecimento em nível mundial, reforçando o sentimento de pertencimento a uma cidadania global. No site podemos ler:

"It leverages the Social Actions API which currently aggregates opportunities to make a difference from over 50 online platforms such as VolunteerMatch, Kiva.org, DonorsChoose.org, Idealist.org, and Change.org. Unfortunately very few actions have location information. Therefore this data is run through an entity extractor and a geocoder to extract location information and get the corresponding point for the map. This process is automatically kick started by the server every hour."

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posted by André Lemos at 8:00 AM - Permalink - Postar um Comentário