André Lemos is Associate Professor, Faculty of Communication, Federal University of Bahia, Brazil. PhD in Sociology, Sorbonne (1995), Visiting Scholar University of Alberta and McGill University, Canada (2007-2008). Coordinator of Cybercity Research Group (UFBa/CNPq) and Researcher level 1 at CNPq. Member of Prix Ars Electronica, Wi. Journal of Mobile Media and Canadian Journal of Communication Board. This Carnet is online since March 1st, 2001.
Vídeo sobre as possibilidades do Google Maps. Meio publicitário mas mostra as potências não só de produção de conteúdo mas também de vigilância e monitoramento (o que pode-se ler nas "entre-linhas" do vídeo). Via mirá:
Imagem do Tactical Sound Garden no Arte.Mov de 2007 em BH.
O projeto SAME (via Network Music Review), reune um pool de universidades européias para investigar as novas formas de produção e consumo de música com os telefones celulares e outros dispositivos móveis. Essa é uma questão que vem sendo objeto de projetos vinculando som, música e mídia locativa como o Sonic City, Hapax, Tactile Sound Garden (foto acima), Sound Lens, Malleable Mobile Music, Tejp/Audio Tags, Murmur, entre outros já resenhados nesse Carnet. Abaixo trechos da descrição do SAME:
"With the rapid spread of mobile phones, we are currently witnessing one of the biggest disruptions in human communication history, and, at the same time, a fundamental change in personal content usage. Two interrelated trends are emerging, which are very likely to fundamentally and persistently change many aspects of our daily lives: (i) increased mobility of people and their devices, facilitated by mobile communications and mobile devices, and (ii) explosive growth and increasing importance of personal and of personalised content. SAME addresses this by contributing to create new end-to-end systems for active, experience-centric, and context-aware active music listening. It aims at creating a new end-to-end networked platform for active, experience-centric, and context-aware active music listening. The project will answer to questions like 'Which will be in the next 5 years the corresponding of the current iPod?'; 'What kind of markets would such new devices open up?' "
Mapas:
Do Boston Globe
Temos mostrado nesse Carnet o boom contemporâneo na produção de mapas. A tendência para 2009 é o crescimento tanto de projetos comerciais, como artísticos e comunitários. Assim, mashups, web 2.0 e tecnologias móveis com serviços baseados em localização vão impulsionar ainda mais esse desenvolvimento. Mostramos vários projetos sobre essa temática no Carnet. Uma busca com a palavra map revela os post. Vejam sobre essa discussão o post do Boston Globe mostrando a explosão dos mapas.
" (...) Today, it's easy to feel superior to a society that thought Europe and Africa looked like matching slices of pizza, but we shouldn't. That medieval map said very little about how the world was shaped, but it had a lot of information: For starters, it told you that God's creation was symmetrical, and thus perfect, and that its apex was Jerusalem. In a deeply religious society in which most people never made it more than a few miles from home, this was understood to be far more important than knowing the exact contours of the Mediterranean.
Thanks to satellites, surveying, and ever-increasing computing power, mapping has become geographically accurate beyond the dreams of a medieval mind. But many of those same technological advances have also brought us full circle: Maps have increasingly become vehicles not just for telling us how the world looks, but for organizing and representing all sorts of information.
The past year saw an explosion of such maps, portraying everything from earthquake devastation to voting patterns to international reading habits - often made on the fly, by citizens, in response to events. Like their medieval predecessors, the most interesting maps are often useless for getting from point A to point B. But if you want to understand what happened in 2008, they are an excellent way to navigate the year. (...) "
Tenho escrito e pesquisado sobre mídias locativas e cartografias urbanas. Há muitos posts nesse Carnet sobre essa temática (basta uma busca na janela search, na esquerda do site). E tenho feito algumas experiências com mapas a partir de GPS Writing com o SUR-VIV-ALL e o IDENTITE. SUR-VIV-ALL foi feito de carro, mas o IDENTITE, de bicleta, meu meio de transporte favorito e, acho, uma das soluções para os problemas ecológicos e de circulação nas grandes cidades. Post do Techcrunch, RideTheCity.com: A Google Maps App for Safe Biking mostra aplicativo "mashup", que utiliza dados secundários para propor aos ciclistas percursos mais rápios e mais seguros em NY (obrigado Macello Medeiros pela info).
Abaixo trechos do post e mapa:
"RideTheCity is a cool mash-up application that allows you to plan bike routes based on safety and speed. By typing - or selecting - a start and end location in New York City, the application will find the safest and quickest routes by factoring in bike routes for 'safest' trips and the shortest travel distance for the quickest trips.
The project is run by three bikers, Jordan Anderson, Vaidila Kungys, and Josh Steinbauer (Full disclosure: I went to college with Jordan but found out about this via NPR.) who connected Google maps to a few basic heuristic rules and added a cool logo. The GIS data comes from the city itself and is merged with Google Maps for display.
(...) Every time you search Ride the City, we look through more than 125,000 records in a database. Most of that data comes from the City?s LION GIS data. The City?s LION file does not contain bicycle facility data, so we made a Freedom of Information Act request to the NYC Department of Transportation and NYC Department of City Planning. That got us a little closer, but we still had to put in dozens of hours of data cleanup to get everything working more-or-less correctly.(...)".
FAPESP torna disponível ferramenta em software livre para análises urbanas georreferenciadas. O interessante é que é gratuito (similares custam US 1.500) e pode ser usado por não-especialistas.
Abaixo trechos da matéria e link para download gratuito do programa:
"A versão final de um software livre de informações geográficas, que acaba de ser lançado, poderá dar aos gestores públicos de muitas cidades brasileiras uma ferramenta computacional adaptada às suas necessidades para o planejamento de políticas em áreas como educação e saúde.
Trata-se do TerraView Políticas Sociais, um programa de geoprocessamento para análises e interpretações espaciais da realidade social de áreas urbanas, desenvolvido pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP, em parceria com a Divisão de Processamento de Imagens (DPI) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O aplicativo, que é de uso livre e pode ser baixado gratuitamente pela internet, permite ao usuário realizar diagnósticos e equacionamentos de diferentes questões sociais, econômicas e demográficas. O objetivo é dar suporte a pesquisadores e gestores públicos que atuam em áreas como educação, saúde, transferência de renda e habitação.
(...) podem ser usados dados de população dos setores censitários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que seriam cruzados com informações de uma área específica de planejamento da Secretaria de Educação local, por exemplo, possibilitando a identificação do número de vagas e de alunos sendo atendidos em determinada região.
'Com uma conta simples, os gestores conseguem saber onde há locais com muitas crianças e poucas escolas, definindo qual é a demanda regional que passa a se tornar prioritária para a construção de uma nova estrutura escolar'
(...) Para conhecer e fazer o download do TerraView Política Social, clique aqui."
Vou aproveitar o pretexto do post do Tiago Dória (via email do Fernando Firmino), informando sobre mapa interativo dos crimes em Londres (o usuário coloca o zip code e vê a situação de seu bairro) e no Brasil (WikiCrimes e o Citix), mas há outros como de Chicago, etc., para falar um pouco sobre a história desses mapas de crimes e das "estatísticas morais". Estou escrevendo sobre isso no meu livro (Mídias Locativas e Processos de Espacialização) e retomo aqui uma pequena parte. Rever a história é importante para não cairmos no cilada da novidade.
Esse tipo de mapeamento não surge agora com mashups e google maps. A diferença está na possibilidade de uma produção bottom-up, no cruzamento de bancos de dados e nas diversas formas de interatividade. No século XVIII, na Europa, mapas com detalhes começam a ser produzidos para vigiar e monitorar o espaço, principalmente pelas empresas de seguro, e em Londres. Como afirma Short, "one the most comprehensive and detailed urban mappings during the 18th century was undertaken by insurance companies, which needed accurate maps to determine the likelihood of city fires and calculate the level of insurance premium to be paid by the residents." ("The World Through Maps. A history of Cartography", John R. Short, Firefly Books, Toronto, 2003, p. 151). Claro, o que acontece hoje não é nada mais do que o desenvolvimento histórico desses mapas, e não é de hoje a febre por vigilância e monitoramento em Londres, Paris, Boston... O primeiro foi em Paris em 1829.
No século XIX, nos EUA, surgem mapas estatísticos revelando uma radiografia social. O primeiro foi o "Statistical Atlas", de Francis Walker, de 1874, com 44 mapas com dados sobre imigração, etnia, religião, tendências econômicas, densidade populacional: "Walker was writing at the same time when social science, social control, and social surveillance were all emerging as important new discourses of a nation experiencing rapid urbanization and large-scale immigration." (p. 164). Esses atlas não apenas representam cartograficamente as nações, eles as justificam, as legitimam e servem como instrumento de poder.
Mapas de doenças, de crimes começam a ser produzidos no século XIX e crescem no século XX. Esses mapas revelam "moral estatictics", termo criado pelo estatístico francês André-Michel Guerry em 1833. Essas estatísticas morais apontam para os "levels of crime and poverty, among other social phenomena. Crime maps first appeared in France in 1829 when Balbi and Guerry used data from 1825 to 1827 to plot, for each of the departments in the country, the incidence of crime in relation to 'educational instruction'(...)" (p. 194). Hoje, como afirma Short, "geografic profiling" é uma tendência, mostrando aspectos psicologicos e perfis que são usados para criar e reforçar leis. Trata-se de assumir, como afirma Short, que o perfil de crimes e de criminosos são "place specific".
Mais uma mapa com informações localizadas sobre cidades. Aqui vemos como o City 8, na China, usa panoramas do google street view, permitindo aos usuários adicionar informações localizadas (geotags) e comentários em relação os lugares do ambiente urbano. (via Digital Urban). Há GIS mas de mais de 30 cidades chinesas. Mais infos sobre o City8, aqui.
Digital Access Index (2003): 0.5; (62 of 178) Fixed telephone subscribers per 100 inhabitants: 22.3 Mobile cellular subscribers per 100 inhabitants: 20.1 Internet access tariff as % of Gross National Income (GNI) per capita: 11.8 Adult literacy: 87.3% Combined primary, secondary and tertiary school enrolment level: 95% International Internet bandwidth per capita: 53.7 (kbit/s) Broadband subscribers per 100 inhabitants: 0.4 Internet users per 100 inhabitants: 8.2
Para comparar os dados Canadenses:
Digital Access Index (2003): 0.78; (10 of 178) Fixed telephone subscribers per 100 inhabitants: 61.3 Mobile cellular subscribers per 100 inhabitants: 37.7 Internet access tariff as % of Gross National Income (GNI) per capita: 0.7 Adult literacy: 98.5% Combined primary, secondary and tertiary school enrolment level: 94% International Internet bandwidth per capita: 2841.8 (kbit/s) Broadband subscribers per 100 inhabitants: 11.1 Internet users per 100 inhabitants: 51.3
Para ajudar a pensar os processos atuais de produção de mapas em meio ao desenvolvimento de projetos com mídias locativas (anotações, mobs, location-based games, geotags - todos dependentes de mapas!), deixo abaixo algumas citações para lembrar a materialidade dos mapas e para observarmos o que está subjascente. Como mostramos em outros posts, mapas são meios de comunicação e como tais, não são neutros, são construídos de acordo com ideologias políticas ou religiões, apresentam distorções e devem ser "lidos", ou seja, todo mapa é uma forma de contar histórias. Mais ainda, todo mapa é uma mentira colocada em um outro suporte!
Que histórias, que distorções, que ideologias, que mentiras e que visões de mundo apresentam os atuais mapas digitais?
Algumas citações de "The World Through Maps" de John R. Short:
"They gave meaning to life as symbolic as a practical value, by locating, or 'centrering' people".
"All maps projections are distortion..."
"So map orientations structure how we see the map, and hence, the perspective from which we see the world".
"Maps are text that tell us important stories. They represent a form of communication that can speak across the centuries"
"Maps are no longer seen as value-free, socially neutral depictions of the earth, but rather as social constructions that bear the marks of power and legitimation, conflict ans compromise. Mas are social as technical products, and mapping is not only a technical exercice, but also a social and political act".
"All maps, in one sense, are lies since they involve a massive partial (mis) representation of the solid world on to a smaller object. The round world is turned into a flat piece of paper at the cost of incredible selectivity and bias. Maps do show us the lie of land, in the multiple sense of the word 'lie'".
Em relação ao último post, acabo de ler uma passagem que pode nos ajudar a pensar os mapas como "não-lugares", compreendendo aí lugares que "perdem sentido". O texto de Richard Coyne e Martin Parker, "Voices out of Place. Voice, non-place and Ubiquitous Digital Communication" (em Nyíri, "Mobile Understanding. The epsitemology of Ubiquitous Communication") vai discutir o papel da multivocalidade em meio às novas tecnologias da mobilidade, particularmente o celular. Interessante como o texto questiona, mas não rompe com o conceito de não-lugar de M. Augé.
A voz é o que quebra o silêncio, que "offends, cries out in protest, and rants. The voice is commonly associated with indiscration, or at least it transgresses easily. The voice offers spontaneous protest..." e podem "organizing dissent". Podemos incluir aí os discursos transformados em mapas. Não lugares são lugares sem sentido. Aeroportos, estradas, shoppings, fronteiras, estacionamentos..., áreas negligenciadas por cientistas sociais e regulamentadas, um território com leis e regras que, por assim ser, homogeizam e comercializam o espaço. Não-lugares são áreas silenciosas, controladas e vigiadas. E cada vez mais por dispositivos digitais móveis...GPS, celular, mapas...Estar nesses lugares é estar sempre "under suspicion", realizando o ideal iluminista de "contrato social". Ele é um lugar regulador e discursivo ("wi-fi avaiable", "no smoke", "no loitering", "do not use mobile phones"...).
A era eletrônica estaria ampliando esses espaços e controlando-os por CCTV e/ou outras ferramentas de localização e monitoramento. Todo sistema de seguraça transforma um lugar em "não-lugar", afirmam os autores, já que os não-lugares "are putative intolerant of disorder and dissent". O não lugar é um território de controle e de imposição de comportamento, logo... um lugar! O texto vai afirmar que os telefones celulares tem servido como ferramentas de discenso, reportando acontecimentos banais ou importantes, ampliando a potência pertubadora das vozes. Eles buscam "criar sentido" em lugares "sem sentido", os não-lugares. Seriam assim formas de deterritorialização, de quebra de controle de um espaço monitorado e vigiado, sem sair dessa condição.
No caso dos mapas sobre crimes do último post, eles colocam um olho em cada ponto da carta e cada olhar diz algo sobre o lugar. A "vigilância distribuída" (aberta e colaborativa) transforma todo o mapa em em não-lugar. Ao territorializá-lo (por controle e vigilânca para garantir as regras) ela faz com que ele "perca sentido".
Por exemplo, analisando o familywatchdog em post de fevereiro de 2006 e cruzando dados com um diretório de endereços escrevia: "Para testar entrei num outro site impressionante, o Zaba Search (que cruza bancos de dados e fornece o endereço de qualquer pessoa nos EUA) e coloquei o nome do escritor Paul Auster...caí no endereço dele e pude ver se um dos meus escritores favoritos estaria em perigo. Testei outro e na realidade, se extrapolarmos, todos estão em prerigo pois sempre tem algum criminoso por perto...Vemos aqui uma verdadeira psicogeografia do medo e do preconceito." O mapa perdia sentido para mim. Mesmo sistemas de "contra-vigilância" ou "sousveillance" (ver isee e os trabalhos de Steve Mann), reforçam esse sentimento, ao lutarem contra. Mas eles são também formas de liberação de vozes, de desterritorialização.
Os mapas de crime, ao transformar todo o mapa (o país) em uma área de controle e de observação, faz com que o mapa perca sentido e que todo o país se transforme em um "não-lugar". Afirmam Richard Coyne e Martin Parker: "non-place , a contested category that deals with authority, immediacy, embodiment, docility and dissent in particular ways. Non-places is primarily a textual entity, dependent on signage, but abetted and subverted by the authority of vocalizations. (...) Non-places deploy technologies of silence and docility (...). But the voice has the capacity to break through, to reconfigure the borders of non-place".
Cabe observar, por fim, que há inúmeras experiências onde pode-se ouvir as vozes pertubardoras. Vejam esse post por exemplo. Há mapas comunitários que agem justamente no sentido de questionar as leis e lutar por modificações na política e na vida comunitária. Outros buscam resgatar a memória do lugar através de histórias e depoimento dos cidadãos. Esses mapas produzem e reproduzem o sentimento de pertencimento, criam, diferentemente dos não-lugares dos mapas de vigilância, sentido social e pessoal aos lugares.
A criação de conteúdo colaborativo em mapas pode assim servir tanto para transformar os lugares representados em não-lugares, lugares regulados e sem sentido, como para dar sentido e reforçar a pertecimento local.
O uso de mapas e a produção de conteúdo livre associado têm sido duas das principais características das mídias locativas. Mapas são meios de comunicação potentes hoje e, na mesma tendência das mídias contemporâneas, eles têm passado de mídias de função massiva (produzido por poucos e consumido por muito) para mídias de função pós-massiva (produzido por muitos e consumidos por nichos). Os mapas são mídias por possuírem mensagem, meio, emissor e receptor e, como toda mídia, é produzido com distroções, geográficas e ideológicas. O mesmo se dá hoje com a produção de mapas digitais com conteúdo localizado e colaborativo. Essa produção não é nova, muito pelo contrário (mapas tem sido desde sempre produzidos por pessoas desconhecidas e com conteúdos diversos indexados), mas a diferença está na facilidade de produção e de criação dos mais diversos conteúdos pelas tecnologias da web 2.0. Como já colocamos aqui nesse Carnet, há hoje uma produção inédita de mapas e conteúdos localizados. Aqui fica sempre duas questões: 1. eles não representam a realidade, mas a produzem e 2. eles não são neutros, mas ideológicos revelando estados da sociedade e dos poderes em jogo. Como escrevi em outro post: "Mapear é produzir uma representação do mundo, uma construção ideológica, e isso desde os grandes impérios do passado (Roma, Portugal, Espanha, Grã-Bretanha) até hoje com os "impérios" das tecnologias informacionais. Embora ampliando e democratizando as formas de produção de mapas e conteúdos localizados, sistemas como o Google Maps/Earth/View não são neutros e estão a mercê dos poderes constituídos (vejam post sobre evento em Madrid onde comento palestra de Julian Oliver sobre esse tema). Além disso, os sistemas, embora gratuitos, não são de código aberto e um API do Google Maps que usamos hoje livremente pode ser requerido no futuro pela empresa...."
Mapa de Vigilância no Mundo da Privacy International
No caso de mapas de crimes, essas duas questões se revelam críticas; 1. ele nao reflete a realidade (dos crimes da violência, ou da segurança) e 2. ele produz uma ideologia própria do atual regime de vigilância (fé na técnica, falsa segurança, sentimento de medo distribuído, supervalorização da observação, prescrição do futuro). Parace haver aqui uma ilusão de que a produção do conteúdo colaborativo e a vigilância de todos garantiriam alguma segurança no futuro (já produzido portanto enquanto catástrofe iminente).
Nesse sentido, post do Dispositivos de Visibilidade e Subjetividade Contemporânea informa sobre uma "mapa de crimes e de vigilância colaborativa" no Brasil, o WikiCrimes. O site segue alguns exemplos como o "familywatchdog", "chicagocrime.org" ou o "oakland crimespotting", indicado no post. Como destacamos acima, é interessante a produção aberta de mapas e conteúdos indexados (funções pós-massivas das novas mídias), mas temos que levar em conta, como em toda mídia, as duas questões arroladas para saber ler (recepção) o conteúdo (mensagem) desses tipo de suporte (mapas): 1. eles não reproduzem o real (aberto, cristalino e "apenas aí" esperando para que o leiamos com as novas ferramentas 2.0), mas o produzem e; 2, eles estão longe de serem neutros, refletindo ideologias e a atual paranóia do medo e da vigilância pós 9/11. Vemos aqui a crença, por um lado, nos dispositivos técnicos para resolver problemas não técnicos, e por outro, na mobilização social que ao se expressar, resolveria os problemas. Como afirma o post "...esse gênero de mapa propõe uma associação, no mínimo questionável, entre cidadania e vigilância, passando pelo impulso colaborativo. Além disso, fomenta a idéia de que todos estarão mais seguros ao serem informados sobre os locais mais perigosos das cidades, enquanto se sabe que, ao contrário, é toda uma cultura do medo e da insegurança que aí prolifera.". Sobre vigilância vejam um dos meus post e outros do "Dispositivos de Visibilidade...".
Dois posts interessantes nos blogs de Jan Chipchase - Future Perfect e Taming the Space me permitem retomar a discussão que venho estabelecendo aqui sobre o celular como ferramenta de atuação política móvel (como o post anterior sobre a Smart Mob em São Francisco) e o uso social e democratizado de mapas como forma de apropriação do espaço, criando novos sentidos dos lugares, e construção de discursos autônomos sobre as comunidades.
"(...) for many the mobile phone is their primary video/photo/audio capturing and sharing device and as such their skills surpass what you might expect. (...) that a person's understanding of what happens when they use mobile technology can be significantly out of sync with what actually happens - something that system designers sometimes refer to as the user's mental model. (...) Examples from both ends of the spectrum of understanding: Ken Banks talking about activists in Pakistan using Frontline SMS whilst riding around the city in a truck to reduce the risk of detection by base-station triangulation, to an interviewee in Tehran (but could equally be an example from my/your country) assuming that a voice mail message stored on the phone's memory was out of reach of prying government ears - never mind that the message originally passed over the network which may be monitored. The spread of tools that can capture experiences means that more people are in a position to document and publish (human rights) abuses - including many ad-hoc activists who wont be aware that of the relative ease of tracing communication - and this in a world before the widespread adoption of geo-tagged photos.
(...) The three things on the device that will impact the spread of activist material in emerging markets and beyond: lower device cost's are broadening the base of who can afford a feature rich mobile phone(...); memory prices are rapidly dropping and sufficiently-large-for-storing-media memory capacity will filter down into the lowest cost handsets (...) increasing the range of what is stored and the ability to communicate via the sneaker net - photos and video passed from hand to hand, rather than say sent over the network; and mobile phones equipped with TV Out e.g. N82 will leverage existing big-screen infrastructure and practices. (...)"
Sobre mapas, o post do "Taming the Future" releva o que já apontamos aqui nesse Carnet (formação de discursos próprios sobre a comunidade, resignificação dos lugares, etc...). O post é composto de comentários sobre o paper "Citizens as sensors: the world of volunteered geography de Michael F. Goodchild, GeoJournal (2007) 69:211?221"
"Here are some from the paper:
'Why is it that citizens who have no obvious incentive are nevertheless willing to spend large amounts of time creating the content of Volunteered Geographic Information sites?
Self-promotion is clearly an important motivator of Internet activity
Public personal usage - Many users volunteer information to Web 2.0 sites as a convenient way of making it available to friends and relations, irrespective of the fact that it becomes available to all.
Personal satisfaction from seeing their own contributions appear in the growing patchwork.
While geographic naming has been centralized and standardized, and assigns no role to obscure individuals, the new web 2.0 environments have given rise to the composition of layers of new kind of volunteered geographic information.
Remote sensing with satellites has replaced mapping.
Very few people know the latitude and longitude of their home, but in normal human discourse it is place-names that provide the basis of geographic referencing. '
In Wikimapia?
'anyone with an Internet connection can select an area on the Earth?s surface and provide it with a description, including links to other sources. Anyone can edit entries, and volunteer reviewers monitor the results, checking for accuracy and significance.
Google Earth and Google Maps popularized the term mash-up, the ability to superimpose geographic information from sources distributed over the Web, many of them created by amateurs.'
Practicality:
'A collection of individuals acting independently, using shared protocols and standards, and responding to the needs of local communities, can together create a patchwork coverage.
Networks of human sensors
Humans themselves, each equipped with some working subset of the five senses and with the intelligence to compile and interpret what they sense, and each free to rove the surface of the planet.' "
Matéria do The Guardian de Jack Schofield aponta para mais um sistema de mapeamento e tracking de posicionamento com possibilidades de adicionar fotos, compatilhar com amigos, agregar sensores que podem indicar condições ambientais. etc. O projeto, GeoLife, está sendo desenvolvido pela Microsoft Research's Beijing Lab.
Trechos:
"If you'd spent a day seeing the sights in Beijing, it would be nice to be able to review your trip afterwards by watching an avatar trace your route on a map - with popup photos, if you took any.
If you wanted to give other people access, your friends and relatives might enjoy the trip too. And by comparing the routes and photos taken by thousands of visitors, Beijing's city planners would be able to make improvements. They could, for example, highlight the most popular regions, and install helpful English language signs at the spots where tourists typically take wrong turns.
This sort of "life experience tracing" is not something you can do in Beijing today, unless you know Yu Zeng and his colleagues in Microsoft Research's Beijing lab, where GeoLife is just one of many projects. It was also one of about 40 shown to the world's press on the first day of TechFest 08 in Redmond last week.
(..) GeoLife could, of course, use a version of the wearable SenseCam, developed in Cambridge, which is being used in the company's long-running MyLifeBits life-caching project. But Yu's approach is to use ordinary mobile phones with location detection or increasingly common global positioning satellite technology. "In the future, phones might be able to detect pollution and other things that we could incorporate," say the researchers.
(...)The idea is that you have a lot of small sensors and spread them around the environment to monitor something, such as a glacier. Being practical, Microsoft is using them to monitor some server farms, where heat is a problem.(...)".
Outra matéria sobre o mesmo tema vem do Le Monde, sobre como o Google Streer View foi enquadrado pelos militares americanos e forçado a retirar detalhes de uma base americana no Texas.
Trechos:
"Google Earth ou Google Street View révèlent des petits secrets que les services gouvernementaux militaires et de renseignement se passeraient bien de voir diffuser. Un événement a fait réagir le gouvernement américain : il concerne une base américaine du Texas, Fort Sam, à Houston, investie il y a une dizaine de jours par une des équipes du service Google Street View, qui permet de visiter une trentaine de villes américaines en prises de vue panoramiques. Le conducteur du véhicule spécial de Google avait simplement demandé l'autorisation d'accès à la base, qui avait été acceptée.
(...) Le département de la défense américain, après avoir 'reçu un rapport (...) informant que Google avait collecté une imagerie détaillée et des vues à 360 degrés d'une base au Texas', a demandé à la société de retirer l'ensemble de ces clichés. Ceux-ci représentent, selon le général Gene Renuart, chef du commandement militaire américain responsable de la défense intérieure, 'un véritable risque pour la sécurité [des] installations militaires [américaines]' (...) Google a accédé à cette demande et retiré ces images de son service de cartographie locale.(...)".
Mapear é produzir uma representação do mundo, uma construção ideológica, e isso desde os grandes impérios do passado (Roma, Portugal, Espanha, Grã-Bretanha) até hoje com os "impérios" das tecnologias informacionais. Embora ampliando e democratizando as formas de produção de mapas e conteúdos localizados, sistemas como o Google Maps/Earth/View não são neutros e estão a mercê dos poderes constituídos (vejam post sobre evento em Madrid onde comento palestra de Julian Oliver sobre esse tema). Além disso, os sistemas, embora gratuitos, não são de código aberto e um API do Google Maps que usamos hoje livremente pode ser requerido no futuro pela empresa.
Esse projeto de localização e mapeamento, associado a produção de conteúdo aberto, visa criar um maior engajamento do cidadão com o espaço público e mostra como as "mídias locativas" podem ampliar as formas de ler (ver) e escrever (produzir conteúdo) sobre um determinado espaço urbano. citix permite que o usuário visualize e produza pontos no mapa (turísticos, infraestrutura, segurança, etc). O sistema cresce com a participação cidadã e reflete uma tentativa, aliando espaço físico e ciberespaço, de significação do "espaço de lugar".
Como informa o projeto: "O CITIX fornece a você (Usuário) uma plataforma de localização geográfica e referenciamento, em aprimoramento permanente, onde você pode tanto VER as informações disponibilizadas quanto GERAR informações sobre sua cidade/região no intuito do bem-comum e da cidadania.
(...) O CITIX é a nossa cidade em movimento, onde você pode localizar, marcar e compartilhar informações sobre eventos, lugares, instituições, segurança e serviços públicos. As suas ações buscando qualidade de vida mostram todo o carinho que você tem pelo lugar onde se move, trabalha, estuda, se alimenta, dorme, se diverte, faz e encontra amigos. Na nossa cidade as coisas acontecem simultaneamente, aqui você tem a oportunidade de enxergar tudo ao mesmo tempo."
Matéria do International Herald Tribune mostra com os aparelhos portáteis iPhone e iPod Touch têm sistemas de localização sem usar GPS, triangulando o usuário a partir dos hotspots (wi-fi). Algo parecido com o sistema de localização do Google, o MyLocation, que usa as celulas dos telefones celulares para localizar e posicionar o usuário em mapas.
No caso da triangulação por zonas de acesso Wi-Fi, vemos dois fenômentos interessantes aqui: 1. o crescente aumento dos pontos de acesso a internet sem fio nas cidades, criando não apenas "pontos", mas "zonas de conexão" e; 2. o uso dos hotspots Wi-Fi para outro fim, o da localização, revelando a flexibilidade e a complexidades dos atuais territórios informacionais.
iPhone and Maps
Terchos da matéria:
"There's no GPS inside the phone, so 'how do we actually arrive at the location?' Jobs asked, showing the location-finding ability on an iPhone by plotting a route from the convention center to the nearest Apple store - without having to type in his starting point.
'We're working with two companies to do that: Google, and a company called Skyhook Wireless,' he said. 'And it works pretty doggone well.'
Skyhook's technology uses signals from Wi-Fi hot spots to triangulate and find a person's location, instead of using a chip that lets a mobile device communicate with the Global Positioning System. Skyhook, based in Boston and founded in 2003 by Ted Morgan and Michael Shean, has gathered and catalogued the Wi-Fi fingerprint of streets in thousands of cities and towns by driving along roads and collecting the unique signatures of 23 million Wi-Fi signals that flow out of houses, businesses and public access points. The company uses that data to let Wi-Fi-enabled devices know where they are.(...)"