André Lemos is Associate Professor, Faculty of Communication, Federal University of Bahia, Brazil. PhD in Sociology, Sorbonne (1995), Visiting Scholar University of Alberta and McGill University, Canada (2007-2008). Coordinator of Cybercity Research Group (UFBa/CNPq) and Researcher level 1 at CNPq. Member of Prix Ars Electronica, Wi. Journal of Mobile Media and Canadian Journal of Communication Board. This Carnet is online since March 1st, 2001.
Esse projeto faz parte de uma trilogia que preparo sobre escritas com GPS (ou "GPS Writing") nas cidades em que morei entre setembro de 2007 a setembro de 2008. O primeiro projeto foi o SURVIVALL, escrita com GPS tracker de carro em 40 KM de Edmonton, no Oeste do Canadá durante o inverno de 2007-2008. O carro é o meio de locomoção por execelência em Edmonton e a palavra "Survival", foi modificada para criar um jogo de sentidos. Survivall surgiu a partir do livro Survival de M. Atwood que argumenta ser essa a questão que perpassa toda a literatura canadense. Vejam o site para mais detalhes
No atual trabalho, escrevo, de bicicleta em 14 km, e de uma só vez (ou seja sem parar e em um único arquivo .gpx), a palavra "Identité", questão central no Canadá, mas particularmente forte em Montreal e em toda a região do Québec. Lugar de fundação do país, dominado por franceses, depois ingleses e depois franceses de novo, o multiculturalismo está presente e a tensão entre anglófonos e francófonos ainda permanece. Acho que essa região é que dá a tensão e a identidade canadense, além da única possibilidade de não se dissolver no vizinho do sul (os EUA). Montreal talvez seja a mais interessante cidade do Canadá, justamente pela questão/tensão identitária. A bicicleta é o instrumento de locomoção mais interessante (que uso diariamente) aqui e a palavra só poderia mesmo ser escrita em francês.
A terceira escrita com GPS será feita em Salvador, Bahia, Brazil em setembro de 2008.
Essas "escritas" estão inseridas no meu projeto de pesquisa sobre as tecnologias móveis, comunicação e espaço urbano (me interesso particularmente aqui pela invisibilidade dos processos subjetivos e pela relação pessoal com o espaço urbano - tornando-se depois, no mapa e na web, público e visível), que o leitor pode ver mais detalhes no meu Carnet de Notes. Usei o Wintec GPS Tracker, uma câmera de 8 MP Kodak, o programa "myTracks", para exportar o arquivo do GPS, e o "Quikmaps" para gerar o mapa digital na web.
Esta acontecendo aqui, de 1 a 4 de novembro o Global Vision Festival, com filmes de varias partes do mundo. O tema central e' os direitos humanos, a busca identitaria, o pacifismo e o meio ambiente. Assisti hoje dois filmes canadenses e gostei do que vi: "Aboriginality" de Dominique Keller e "Place Between" de Curtis Kaltenbaugh.
Os dois filmes falam, cada um a seu modo, de fronteiras, de limites, de territorios, no caso, de territorios culturais e identitarios. O primeiro filme e' uma animacao de 5 minutos, muito bem realizada, mostrando um garoto assistindo um clipe de hip hop cujo cantor e' um aborigine. Como que por magica, o garoto e' transportado atraves da tela da TV para o mundo do aborigine. Ele espreita na mata o guerreiro que agora canta sua musica ancestral. A tela da TV e' aqui um portal que envia o espectador para os limites da cultura, fundindo tradicao e modernidade, mostrando o aborigine cantando hip hop (uma forma de atualizacao de sua musica ancestral) e depois o mesmo aborigine em sua terra natal, cantando para os deuses. Vemos claramente as fronteiras dos territorios culturais, da magia ao moderno, do canto ancestral ao hip hop da cultura pop e do videoclipe.
O segundo, e' uma busca do autor para reconstruir sua identidade em uma viagem para compreender a sua condicao no mundo depois de sua adocao por uma familia americana. De origem indigena canadense, o autor foi adotado com 7 anos por uma familia americana ja que sua mae estava envolvida com alcolismo e nao tinha condicoes de criar nem ele nem seu irmao, que tambem fora adotado, e que na epoca tinha quatro anos. O autor organiza um encontro das duas familias em Winnipeg. O filme intercala imagens externas com imagens mais subjetivas que ele mesmo faz com sua camera portatil. Apesar de todas as dores, o filme mostra o encontro emocionante das familias, coordenado por uma especie de xama local. Nesse caso, o autor busca recontruir seu territorio subjetivo, sua identidade, passeando pelo espaco "in between" de sua condicao. Ele busca compreender-se nessa fronteira entre a familia de sangue e a familia adotiva que se reencontram para criar um territorio, nesse "lugar intermediario".
O governo de Bruxelas lança um cartão com chip que é um verdadeiro cartão de identidade eletrônico, com dados pessoais, autenticação de compras online, de serviços de e-gov, tanto para adultos quanto para crianças. O governo belga quer ser o primeiro europeu a adotar o e-ID para todos os seus cidadãos.
"First, it acts as an ID document. Second, it provides a way of contacting next of kin if the child gets lost or has an accident. Each card carries a phone number that connects to a cascade of numbers registered by the parents. If there is no answer, the call is transferred to a national child-protection hotline. This function was developed in the national outcry surrounding the case of the paedophile murderer Marc Dutroux, who was tried in 2004.
"The first 24 hours after a child's disappearance are the most important ones," Van Eyck says. "If you find a child, or find a card, this system means the parents or the police can be notified right away."
The card's third function is internet safety: from the age of six, children can receive a PIN allowing them to sign on to children-only online groups.
The children's card is part of a national programme to replace existing cards with multi-purpose electronic tokens. Some 6m electronic ID cards have been issued to Belgians; a similar card is being issued to 1.4 million foreigners. Local authorities issue the card, valid for five years, at a cost ranging from nothing to 35 euros (£24.30).
The e-ID has an embedded digital signature allowing citizens to bank online, as well as carry out e-government transactions such as filing tax returns. And since January, citizens of Brussels have been able to report crimes by plugging the ID in to a card reader.
Van Eyck says that far from oppressing citizens, the card puts them in control of their information. At the European ministerial e-government conference in Lisbon last month, he demonstrated a service called Myfile, which allows card-holders to check information held on them in the national register. "You cannot change your data yourself but you have a direct link to the municipality to send in corrections," Van Eyck says."
Mais uma vez o discurso é o da segurança e da proteção (principalmente das crianças) na nossa sociedade cada vez mais informatizada. Bom, fiquei pensando aqui que melhor seria abolir essa coisa primitiva que é um cartão de plástico, e colocar um chip intradérmico em todos os cidadãos, inoculando-o diretamente nos recém-nascidos, como uma vacina. Na realidade, é exatamente disso que se trata: uma vacina eletrônica, contra a sociedade da eletrônica, dando poder aos Estados para um maior controle, vigilância e seguranca (!?) dos seus indivíduos.
Interessante como a redução da vida a dados primários e a memórias eletrônicas em bancos de dados (uma busca constante e figurinha fácil em todas as histórias de ficção científica) nos parece dar uma sensação (ilusória) de segurança e de controle. Sempre que tentamos simplificar, transformando a complexidade da vida e da memória em dados binários contidos em suportes eletrônicos e em algorítmos eficientes, algo sempre escapa: o imponderável, o erro, a falha, o esquecimento...
E esse escape é o que pode mesmo nos salvar desse, como diria o finado Baudrillard, crime perfeito.