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André Lemos is Associate Professor, Faculty of Communication, Federal University of Bahia, Brazil. PhD in Sociology, Sorbonne (1995), Visiting Scholar University of Alberta and McGill University, Canada (2007-2008). Coordinator of Cybercity Research Group (UFBa/CNPq) and Researcher level 1 at CNPq. Member of Prix Ars Electronica, Wi. Journal of Mobile Media and Canadian Journal of Communication Board. This Carnet is online since March 1st, 2001.


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wTuesday, December 09, 2008


Locative Control

Estamos finalizando a disciplina Mídia Locativa no PPGCCC, e a discussão desta semana será sobre controle e vigilância. Mídias de localização e do movimento, como escrevia ontem, as mídias locativas são meios de controle, de monitoramento e também de vigilância. É sempre bom reler os textos e se tivesse tempo (um dia de 80 horas e uma vida de 500 anos) poderia e adoraria me dar o prazer da releitura. Fiz isso para discutir com alunos textos que já havia lido. Agora reli o "Post-scriptum sobre as sociedades de controle" de Gilles Deleuze (1990) e gostaria de destacar duas passagens que remetem diretamente para a questão das mídias locativas e dos territórios informacionais. No cardápio ainda discussão sobre RFID, mobile social networking, ambientes pervasivos...


Entrada de um condomínio em Salvador.

Sobre mídias locativas, vejam a relação direta entre localização, dispositivos digitais e mobilidade:

"Não há necessidade de ficção científica para conceber um mecanismo de controle que forneça a cada instante a posição de um elemento em meio aberto, animal numa reserva, homem numa empresa (coleira eletrônica). Félix Guattari imaginava uma cidade onde cada um pudesse deixar seu apartamento, sua rua, seu bairro, graças ao seu cartão eletrônico, que removeria qualquer barreira; mas, do mesmo modo, o cartão poderia ser rejeitado tal dia, ou entre tais horas; o que conta não é a barreira, mas o computador que localiza a posição de cada um, lícita ou ilícita, e opera uma modulação universal"

Sobre territórios informacionais (controle informacional na interface das dimensões físicas e informacionais dos lugares), vejam como a "cifra" (a senha, o código de controle) evidencia os novos territórios, perfis construídos a partir de cruzamento de bancos de dados. O lugar torna-se uma fusão de dimensões físicas e de bancos de dados. Vejam:

"Nas sociedades de controle, ao contrário, o essencial não é mais uma assinatura e nem um número, mas uma cifra: a cifra é uma senha, ao passo que as sociedades disciplinares são reguladas por palavras de ordem (tanto do ponto de vista da integração quanto da resistência). A linguagem numérica do controle é feita de cifras, que marcam o acesso à informação, ou a rejeição. Não se está mais diante do par massa-indivíduo. Os indivíduos tornaram-se 'dividuais', divisíveis, e as massas tornaram-se amostras, dados, mercados ou 'bancos'."

Passando dos "banco de dados" aos Bancos:


Equipamento de controle "modular" de senhas, o "Multisenha".

Interessante ver como, passando da moldagem (sociedade disciplinar) à modulação (sociedade do controle), os bancos estão não só criando senhas de acesso (para aferir maior controle sobre a assinatura e o número de identificação - estes para Deleuze, instrumentos da sociedade disciplinar), mas senhas de acesso moduláveis (sociedade do controle), geradas por um pequeno dispositivo ("multisenha") que deve ficar com o usuário, produzindo uma senha a cada momento. Cria-se uma hiper-modulação, uma hiper-mobilidade e também um melhor controle.

O Unibanco (veja aqui um vídeo demonstrativo) já adotou o equipamento e começou a distribuir aos correntistas. Quem não quiser, vai poder movimentar apenas pequeníssimas quantidades de dinheiro. Ou seja, é praticamente compulsório. Notem que essa estratégia aponta para um controle que cresce e se expande ("os anéis da serpente são complicados", dizia Deleuze) através de uma maior mobilidade do usuário (já que o dispositivo é como um chaveiro) e de uma maior mobilidade informacional (já que a cada uso uma nova senha é gerada). Mas, na realidade, essa modulação de senhas é uma estratégia usada pelos bancos para retirar a sua responsabilidade sobre roubo de senhas ou outros problemas eletrônicos que o correntista venha a ter. Agora a responsabilidade é só dele. A culpa ou será do provedor de acesso, como quer a lei Azeredo, ou sua mesmo, já que o banco transferiu para o dispositivo todo o controle sobre o acesso à conta eletrônica. Aparentemente você controla melhor sua conta, já que as senhas são múltiplas e em mobilidade mas, na realidade, é o sistema que te controla melhor, dando ao mesmo tempo a impressão de uma maior mobilidade e liberdade.

As mídias locativas, onde localização e mobilidade significam possibilidades de produção de sentido no espaço e nos lugares, são também instrumentos de controle, monitoramento e vigilância dos lugares, dos espaços e dos indivíduos, agora enredados nos bancos de dados moduláveis, fluídos, inteligentes e onipresentes. Não esqueçamos que essas tecnologias, principalmente o GPS, têm origem militar.

Como alerta Deleuze:

"diante das formas de controle incessante em meio aberto, é possível que os mais rígidos sistemas de clausura nos pareçam pertencer a um passado delicioso e agradável".

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posted by André Lemos at 3:25 PM - Permalink - Postar um Comentário


wFriday, October 10, 2008


Locative Media, Control and Surveillance

Falava no último post sobre as discussões que estão sendo travadas na minha disciplina da Pós. Fizemos na última aula uma discussão sobre locative media e vigilância. Ressaltava nesse momento que o regime de visibilidade e de produção de localização, monitoramento de movimentos e de serviços baseados em localização com as mídias locativas veem de pesquisas militares, de vigilância estatal, policial, comercial e industrial de longa data, e que só estamos vendo acirrar hoje em dia. Os projetos com LBT (location-based technologies) e LBS (location-based services) funcionam no mesmo registro de visibilidade, controle e tratamento de dados que os sistemas do complexo militaro-industrial.

No entanto, os projetos sob o nome genérico de "locative media" (nome dado por artistas para se diferenciarem desses projetos militares e comerciais) visam justamente acirrar as ambiguidades, colocar em evidência as formas de controle, estimular a errância e a produção de conteúdo que criem efetivamente sentido para pessoas e comunidades. Os projetos em locative media (ativista e artísticos) podem ser compreendidos como uma crítica aos LBS e LBT. Temos mostrado nesse Carnet diversos exemplos de construção coletiva de histórias de uma comunidade, de anotação eletrônicas urbanas, de jogos que atuam na ambiguidade das conexões como os do Blast Theory, de desenhos e escritas com GPS que se apropriaram dessa tecnologia militar, do uso de RFID para produzir uma memória eletrônica de coisas do quotidiano (e criticar o uso como "spychips"), etc...

Vejo agora dois posts que tratam da questão da vigilância e do controle em marcha com essas novas tecnologias e serviços de informação baseados na localização. O primeiro, com o título "society of control", usando uma expressão deleuziana, aponta para a continuidade entre o panoptico foucaultiano e as midias locativas:

"Locative media are originally and still used for the same purposes. GPS were originally conceived by the army to have visual information on the enemy situation and is still used for the same purpose. Even if we feel that we have privileged information, we have access to some of the available truths that these technologies allow. Goggle Earth is a good example of controlled information to control society. All the information in that piece of software is photographs from satellite taken months earlier to be sure public doesn't have access to up-to-date compromising or military-useful information. Even open source information is forced to a form of censorship to permit control and surveillance on the users trough laws.
Being scared of an ultimate surveillance society is a very important reaction to have, but the main problem isn't to be watched constantly; it is to have all this information controlled by people with bad or egoist intentions."

Vejam o interessante vídeo (tracking services e discussões sobre ID cards, claro, na GB) indicado pelo post:



O segundo post, ingênuo e mal escrito, aponta no entanto para uma questão importante e que reflete o que expomos acima: as zonas de sombra, para ações de desconexão. O post "Swimming in the Gray Zone" aponta para essas zonas de desconexão, zonas de sombra onde as midias locativas não funcionam. Aqui, a desconexão ganha uma dimensão política, como forma de evitar ser pego por sistemas de vigilância. Como no jogo, Can You See Me Now onde, para não ser visto ou pego, é preciso saber usar as zonas de sombra da cidade. Trechos do post: "I think that the idea needing to find these grey areas where locative medias doesn't reach is very important. I think it would be refreshing to be able to know that there?s a place where you can escape tracking as society becomes more and more controlled and tracked by different entities. (...)

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posted by André Lemos at 5:26 PM - Permalink - Postar um Comentário


wThursday, February 07, 2008


iPhone Security is Control

Artigo de Bruce Schneier na Wired mostra que a paranóia de segurança do iPhone é, nada mais nada menos, do que a busca de um controle total (econômico) sobre o usuário. Nada muito novo no reino dos celulares...




Trechos:

"Buying an iPhone isn't the same as buying a car or a toaster. Your iPhone comes with a complicated list of rules about what you can and can't do with it. You can't install unapproved third - party applications on it. You can't unlock it and use it with the cellphone carrier of your choice. And Apple is serious about these rules: A software update released in September 2007 erased unauthorized software and -- in some cases -- rendered unlocked phones unusable.

'Bricked' is the term, and Apple isn't the least bit apologetic about it.

Computer companies want more control over the products they sell you, and they're resorting to increasingly draconian security measures to get that control. The reasons are economic.

Control allows a company to limit competition for ancillary products. With Mac computers, anyone can sell software that does anything. But Apple gets to decide who can sell what on the iPhone. It can foster competition when it wants, and reserve itself a monopoly position when it wants. And it can dictate terms to any company that wants to sell iPhone software and accessories.(...)"

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posted by André Lemos at 4:23 PM - Permalink - Postar um Comentário