CARNET DE NOTES

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André Lemos is Associate Professor, Faculty of Communication, Federal University of Bahia, Brazil. PhD in Sociology, Sorbonne (1995), Visiting Scholar University of Alberta and McGill University, Canada (2007-2008). Coordinator of Cybercity Research Group (UFBa/CNPq) and Researcher level 1 at CNPq. Member of Prix Ars Electronica, Wi. Journal of Mobile Media and Canadian Journal of Communication Board. This Carnet is online since March 1st, 2001.


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wMonday, December 15, 2008


Wi-Fi Territory

No post anterior falava de território informacional e de como o ciberespaço está sendo "baixado" para as coisas. Agora vejo esse excelente post do City of Sound, criando visualizações por desenhos e gráficos dos processos territorializantes das redes wi-fi. O autor chama de "infozone". Vejam como a imbricação de redes wi-fi nos espaços redimensionam os lugares e o uso do corpo pelos usuários de redes sem fio públicas. Podemos aqui não só perceber, como visualizar a territorialização informacional e as novas heterotopias dos lugares na fase atual da cibercultura. Vejam abaixo trecho do post, "Wi-fi structures and people shapes", do Dan Hill (trecho, desenhos e mapas). As fotos são minhas, feitas no intuito de observar o uso dos espaços na University of Alberta, Canada:


"(...) One of the ideas I've been exploring relates to how urban industry - in the widest sense of the word - in the knowledge economy is often invisible, at least immediately and in situ. Whereas urban industry would once have produced thick plumes of smoke or deafening sheets of sound, today's information-rich environments - like the State Library of Queensland, or a contemporary office - are places of still, quiet production, with few sensory side-effects. We see people everywhere, faces lit by their open laptops, yet no evidence of their production. They could be using Facebook, Photoshop, Excel or Processing. (...)


So as well as photo-essays, videos and in-depth interviews with users, and relating to this idea of making the invisible, visible, I mapped the strength of the wi-fi signal across levels 1 and 2 of the Library, the primary areas that the Library?s wi-fi is used. By taking readings across the floor of both levels, using standard wi-fi-enabled consumer equipment in order to mimic the conditions for the average user (in this case a MacBook laptop and a Nokia e65 mobile phone), I was able to construct a snapshot of the wi-fi signal strength across the Library. (...)


(...) Constructing another tangent on the wi-fi, I was struck by how users adopted the Infozone space - where the wi-fi is primarily located - and the furniture provided for them. The low desks, small tables, various chairs, benches etc. afford numerous variations for wi-fi users, and sure enough people drape themselves all over them. (...)

As well as the hundreds of photos I took in the space, I decided to do a few sketches of the more interesting positions, which I suggested might work something like a aircraft identification manual or compendium yoga positions perhaps. With the latter in mind, I was tempted to name a few, such as "The perch", "The front crawl", "The huddle", "The sandwich", "Battleships", ?Reverse Battleships", ?The Horse", "Side saddle", "Lotus", "The NASA control room", "The occasional-table hug" and so on.

Sitting_on_bench




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posted by André Lemos at 7:58 AM - Permalink - Postar um Comentário


wThursday, August 14, 2008


Wii Space

Já postei nesse Carnet sobre a console Wii, a partir de um debate sobre games aqui em Montreal. Mas não tinha ainda jogado. Vou reforçar o que foi dito no post anterior e ampliar um pouco a discussão (idéias preliminares, como sempre, "work in progress", objetivo mesmo desse Carnet). A tese é simples: o Wii cria um espaço ampliado ("espaço wii"), fazendo com o que o lugar de onde se joga, e o movimento do corpo, tenham um papel de destaque: de residuais como nos outros jogos eletrônicos, eles passam a personagens centrais.


Foto tirada durante a palestra de Bart Simon, professor da Concordia.

Agora estou me exercitando com a console Wii. E é essa mesma a palavra, exercício. Meus braços estão doendo, suei a camisa e me cansei jogando algumas partidas de tênis. Viciado em futebol, nunca joguei tênis na minha vida. Agora jogo um pouco a cada dia, mesmo sabendo que, de forma alguma, essa experiência possa ser comparável ao jogo de tenis "real". Mas isso pouco importa para o meu argumento. Esse não é o ponto. O que quero reforçar rapidamente aqui é a qualidade da console, a versatilidade e os papéis do "lugar" e do corpo na plataforma.

Os jogos eletrônicos, em geral, têm como espaço de jogo a tela do computador, ou a tela das consoles portáteis ou da TV. O lugar onde está o jogador, obviamente, não faz parte do jogo, mas influência na jogabilidade. Procura-se uma boa posição, boa luz, conforto, concentração, etc, para poder focar no que se passa nas telas. Ele é, por assim dizer, residual, e deve ser esquecido para que o jogo funcione bem. Na Wii, o lugar faz parte do jogo, criando o que vou chamar aqui de "espaço Wii" (um espaço lúdico) que prolonga o espaço das telas (que permanece, no entanto, fundamental - é um "video game"!). Literalmente, o lugar de onde se joga é incluído no jogo. Assim, não é apenas o conforto para focar na simulação que está em marcha, mas o rearranjo e o uso do lugar como espaço do jogo (retirar objetos, afastar móveis, se movimentar para um lado ou outro - ou seja "criar um espaço" para jogar). Esse lugar de onde se joga não é apenas residual, ele é incorporado aos games. A sala, o quarto ou qualquer outro lugar passam a ser elementos fundamentais do jogo. Cria-se o espaço do jogo, o "espaço wii", assim como marcar com giz o chão cria o "espaço jogo de amarelinha", ou desenhar ou criar traves em um campo, o "espaço jogo de futebol".


Marcando o chão para o Jogo de Amarelinha

Da mesma forma, a dimensão corporal só reforça esse vínculo ao espaço do jogo já que ele é, como o lugar, "sentido" pelo sensor da console. Em qualquer jogo eletrônico, o corpo está presente, inclinado sobre o teclado, forçando as teclas, concentrando nas ações, batendo nos botões da console, etc. Mas, para o jogo, o que interessa é a função da tecla, ou dos movimentos efetuados nas consoles ou no mouse. Aqui o corpo é, como o espaço, residual. Nos jogos na console Wii, diferentemente, o corpo e seus movimentos são sentidos pelo sensor e são também elementos fundamentais do jogo, sendo incorporados ao desenvolvimento da ação. O jogo, na realidade, só acontece com esses movimentos no espaço. Descubro assim que determinados movimentos, no meu jogo de tenis, têm efeitos diferentes sobre o movimento da bola (estou aprendendo ainda) e não é à toa que médicos estão usando a console para treinamento em cirurgias. E ainda não usei o Wii Fit, que radicaliza ainda mais essa relação com corpo. Meu corpo sente o jogo (estou com dores nas costas e nos braços) e o lugar foi organizado para jogar (tive que tirar a coffee table, arrastar o sofa, tirar os objetos do alcançe das minhas cortadas e saques...).


Espaço e corpo em conflito extremo: Are wii have fun??

Corpo e lugar passam, consequentemente, de entidades residuais para entidades do jogo, transformando-se em personagens integradas ao espaço lúdico. Podemos falar então de "realidade aumentada", como para os jogos pervasivos que usam o espaço urbano em relação com o espaço informacional. Vemos aqui mais um exemplo de como as tecnologias digitais reconfiguram os lugares, criando novas funções, novas dimensões e novas relações com o corpo. Mais do que a desmaterialização e a descorporificação no ciberespaço, o que estamos vendo com as mídias locativas, os jogos computacionais pervasivos e a console Wii, são novas formas de territorialização, de criação de novos sentidos do espaço físico e de tensões sentidas diretamente na carne!

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posted by André Lemos at 10:42 PM - Permalink - Postar um Comentário


wMonday, February 11, 2008


My City = My Body

Exposição no Royal College of Art em Londres explora a relação entre corpo e cidade. A exposição My City = My Body - Biological Interactions with and in the City coloca em evidência a relação entre corpo e cidade, as tecnologias e a percepção da cidade em relação ao dejetos, à bio-vigilância e ao monitoramento do meio ambiente.

Trechos: "My City = My Body is part of ongoing research into future biological interactions with the city and more precisely into how the increasing understanding of our DNA and the rise of bio-technologies will change the way we interact with each other and our environment.(...)

I'm interested in how cities are not as much made up by streets and buildings as they are made up by our behaviour and experiences. (...) These experiences are heavily mediated by technology, just look at the way mobile communication networks totally reshaped our cities.

What I'm interested in, is how future technologies might influence our urban behaviour. We're on the verge of a new area, an area that relies on the understanding of our body and the understanding of our DNA. What does this mean for the cities of tomorrow? Will we have DNA-surveillance and discrimination? Bio-identities and communities? ...




The biological map in the interim show was an 'intervention' using the show as a platform to get feedback on these ideas. By gathering urine samples, I want to make people think about how their biological waste contains information. Pissing in public might become like leaving your digital data up for grabs, spitting in the streets like leaving your computer unprotected on the internet.(...)"

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posted by André Lemos at 11:23 AM - Permalink - Postar um Comentário


wFriday, January 11, 2008


Map Tattos

atlas(t): map tattoos mostra trabalhos de artistas tatuados com mapas, mostrando formas analógicas de "mídia locativa", sem nenhum dispositivo eletrônico, embarcada, criando novas formas de apropriação dos "territórios" (os lugares, o corpo, a subjetividade...).





"The narratives referenced in movies and computer games and in dreams seem to involve people with map tattoos who have no memory of getting the tattoo and no knowledge of what the map's significance is. Their story arc is to discover, and thereby control and own, the territory -- and usually treasure -- depicted in the map. The map tattooed on their body is felt at the beginning to be controlling them -- because they didn't ask for the map and can't read the map. By reading the map, you acquire its power.

Conversely, the claims of map tattoos on discussion boards come inevitably out of discussions around identity and control of self. For example, one e-nterlocutor answered the question "which part of your body do you hate the most?" with a description of the tattoo of the world he has on his back. Putting the map onto you, far from removing your control of its contents, actually intensifies your control of the map's contents by personalizing them, making them not just a part of your claim of identity, but an actual part of your body."

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posted by André Lemos at 2:30 PM - Permalink - Postar um Comentário