André Lemos is Associate Professor, Faculty of Communication, Federal University of Bahia, Brazil. PhD in Sociology, Sorbonne (1995), Visiting Scholar University of Alberta and McGill University, Canada (2007-2008). Coordinator of Cybercity Research Group (UFBa/CNPq) and Researcher level 1 at CNPq. Member of Prix Ars Electronica, Wi. Journal of Mobile Media and Canadian Journal of Communication Board. This Carnet is online since March 1st, 2001.
Tenho que ir agora a um banco para resolver um problema, mas não sei exatamente onde ele fica. Entrei no seu site, peguei o endereço mais próximo da minha casa, cliquei na opção mapa e abri no Google Maps. Vi que fica mesmo perto, mas queria saber exatamente onde, em que prédio e a que distância da minha casa para ver se posso ir a pé. Bom, sei que dá para ir a pé, mas não sei exatamente onde ele fica. Sei mais ou menos, mas não exatamente. Um mapa impresso não me permitiria a navegação, mas me informaria exatamente onde ele está. Não poderia mudar de escala e realizar "zoom out e in", mas poderia ver com mais precisão. Bom, poderia se o mapa fosse um mapa de bancos e não um mapa da cidade. Com o mapa impresso genérico da cidade eu não poderia perguntar onde fica o banco mais próximo da minha casa, nem navegar para dentro ou fora, para norte ou sul. Com o mapa digital tenho a navegação e a busca em banco de dados, que me ajuda muito, embora impreciso. Navegar é impreciso! Aqui, nos mapas digitais tipo Google Maps, temos um erro que se assemelha em muito a um movimento, a um erro de navegação, a sombras nos traçados, a erros dos indicadores de latitude e longitude, de mimetismo dos mapas de ruas e das fotos aéreas. A miopia do Google Maps coloca, como voces podem ver abaixo na imagem, o banco no meio da pista, entre os carros.
Isto mostra os desvios e as imprecisões dos sistemas de localização . Se fosse seguir ao pé da letra, talvez, no meu caso, eu morresse atropelado. O exemplo me lembrou os trabalhos de Aram Bartholl Netzdatenwelt vs. Alltagslebensraum que brincam justamente com essas imprecisões colocando marcadores "reais" nos lugares "exatos" indicados pelos erros dos sistemas. Isso mostra que o mapa produz o território e as relações de espacialização daí derivadas, que eles nunca são miméticos com o espaço real e que a localização é sempre relativa e só se estabelece pelo jogo com os erros e as imprecisões.
Vídeo sobre as possibilidades do Google Maps. Meio publicitário mas mostra as potências não só de produção de conteúdo mas também de vigilância e monitoramento (o que pode-se ler nas "entre-linhas" do vídeo). Via mirá:
Depois de três dias em Toronto, o que mais me chamou a atenção foram as diversas e constantes marcas no chão. Andando, e só assim é possível vê-las, não pude evitar de olhá-las e tentar compreender essa escritas urbanas. A cidade é riscada por graffitis, tags, cartazes, stickers, painéis publicitários, sinais de trânsito, avisos de controle do território reforçando as leis e regulamentos ("essa área está sendo vigiada por câmeras de vigilância", "proibido ficar aqui", "proibido flanar", "proibido vendedores ambulantes", etc.). Mas isso é comum nas grandes metrópoles. No entanto, o que atraia mesmo o meu olhar eram essas marcas sob os meus pés, esses riscos pedindo para serem lidos, embora eu não tivesse, nem tenha ainda, a pedra de Rosetta para decifrar esses modernos hieroglifos. Claro que elas são marcas para tornar mais eficiente o uso, a manutenção e a inovação das infraestruturas urbanas (como água, esgoto, redes de cabos de telecomunicações, vapor, eletricidade). Marcas visíveis das artérias desse grande artefato técnico que são as cidade.
Marcas no chão
O meu sentimento era de estar andando sobre um mapa, um mapa na escala 1x1, onde a superfície da cidade é, ao mesmo tempo, o território e o suporte de inscrições, de informações: um mapa. Como no "Del rigor de la Ciencia" de Borges, o mapa aqui confunde-se com o território. Essas marcas no chão, diferente do uso tático dos graffitis nos muros e dos stickers em postes ou telefones públicos, ou mesmo do uso comercial dos painéis publicitários disseminados em alguns pontos da cidade, são índices visíveis de usos estratégicos, performáticos, técnicos, para usar uma terminologia cara a Michel de Certeau. E essas marcas estratégicas, mais do que táticas ou publicitárias, passam despercebidas pelos habitantes da cidade. Várias pessoas me olhavam e dirigiam o olhar para o chão quando me viam fotografando, como se percebessem os traços pela primeira vez. O território concreto do espaço urbano é um verdadeiro palimpsesto: marcas novas, marcas apagadas, marcas sobre outras marcas, e em várias tonalidades - branca, verde, lilás, laranja, vermelha. Há marcas facilmente identificáveis como setas, nomes e números, e outras só reconhecíveis por olhos técnicos e treinados: letras e números compondo códigos ilegíveis, desenhos que mais parecem revelar a herança de alguma civilização desaparecida.
Marcas no chão
Nesse espaço urbano marcado por grande telões, câmeras de vigilância, redes wi-fi, painéis solares em parquímetros e postes de iluminação, as marcas no chão parecem anacrônicas, como os tramways que insistem em atravessar a cidade em seus trilhos que rasgam o asflato. Elas parecem afirmar que os fluxogramas e esquemas técnico dos engenheiros e planejadores urbanos não são suficientes na hora de rasgar o chão e mexer no corpo da metrópole. Volta-se assim à escrita analógica, se podemos dizer assim, do grafo que tatua o corpo da cidade. Sem dúvida, trata-se de uma mídia locativa, criando informação, veiculando mensagens indexadas a lugares e objetos urbanos, produzindo uma memória técnica, instituida em um suporte material bem preciso: o chão. Essas marcas são mídias de localização, criando transmissão e memória.
Outras marcas...painéis publicitários, placas de trânsito
Painel solar em esquina da Bloor Street
Comecei a escrever esse post na CN Tower (a torre mais alta do mundo, e o ponto de observação mais próximo do céu criado pelas mãos humanas: 447 metros acima do nível do mar) e termino esse escrito com os pés doento, sentando em um café no cruzamento da Carlton Street com Yonge Street, em Downtown, olhando os passantes pela janela. A mais de 400 metros do solo (e com a impressionate marca de 21 redes wi-fi disponíveis - abertas e fechadas, mas todas dando acesso mediante pagamento) pude perceber o tecido e as outras marcas da cidade, marcas muito mais visíveis do que as incrustradas a tinta no chão. Com uma vista de 360 graus, dá para ver toda a cidade, o lago Ontario, o porto, aeroporto, a estrada de ferro, os enormes prédios comerciais, os bairros a oeste com suas pequens casas, e até cidades vizinhas, como Redmont, em Ny, ou Niagara Fall, em Ontario. Uma visão exuberante.
Downtown Toronto
Pode-se ler, pela "arqui-tetura" ("arché-techné", a técnica "fundamental"), as diversas formas de construção da espacialidade. Toronto era York em 1793, fundada por franceses e depois tomada por loyalistas ingleses. Em 1834, York passou a chamar-se Toronto, que significa em aborígine, "meeting place". Hoje é a quinta cidade da América, multicultural e pulsante. Vemos grandes e imponentes prédios no centro, convertendo em altura o fluxo financeiro e o poder industrial, vemos o lago com o porto, a estacao férrea e o aeroporto, todos aglutinados, mostrando por onde comecou a cidade e como o lago estrutura esse grande hub com o mundo externo. Em downtown, prédios gigantescos perto do porto, da Station e do aeroporto, como se não quisessem se desprender da história e das trocas, como se quisessem, de alguma forma, continuar ligados à fluidez das águas do grande lago. A oeste, pequenos prédios e casas revelando a extensão da vida social, Chinatown, Little Italy... Dividindo os dois mundo, Yonge Street e a grande Avenida da Universidade, culminando com o Parlamento, ao norte, Universidade de Toronto, a oeste. Algumas indústrias, a leste, são visíveis também perto do porto (para beber das águas do lago e escoar seus produtos).
Lago Ontario, aeroporto, porto...
Assim, a quase 500 metros do solo, não vemos mais as marcas de tinta no chão, mas uma macroescritura, construída e destuída ao longo dos séculos nessa tensa e dinâmica construção social do espaco. Aqui, do alto, posso ler essa escrita da paisagem onde o olho vê até onde ele alcança, diferente do olhar que busca os detalhes, como as marcas no chão. Embaixo o barulho, as sirenes, as pessoas, as pequenas marcas como detalhes irrisórios dessa grandiosidade que vislumbramos do alto. De cima, esses detalhes não são mais do que pequenos sinais, minúsculas tatuagens no corpo desse grande organismo, pequenas escritas estratégicas contracenando como traços nervosos, visíveis e invisíveis, da vida quotidiana.
Multiculturalismo a oeste
De uma forma ou de outra, o tecido urbano está sendo re-escrito, visível da torre e dos satélites, ou percebido discreta ou invisívelmente no olhar que busca o detalhe do chão. Essa construção social do espaço é construída coletiva ou individualmente com tinta, aço, concreto ou bits, com as diversas redes sociais, suas leis, seus movimentos e constrangimentos.
Marcas no chão
Ao descer, olho para todos os lados e sinto vertigens. Encaro, ao mesmo tempo, o que está na minha frente, para ver o que encontrarei no meu caminho. Olha também para o que está no alto, sentindo a pequenez e o estranhamento em meio à imponência e à força da metrópole (como sinto em NY ou São Paulo). E finalmente, volto a olhar para baixo, para o chão, para admirar, introspectivamente, mesmo sabendo que são forças racionais e da técnica, esses traços que parecem arte e me fazem, mesmo sendo uma ilusão, ver beleza e arte brotando do duro e quente asfalto.
Google maps oferece agora o traçado de direções a pé (walking) e não apenas "by car". O sistema está ainda em versão beta, mas oferece, em tempos de crise energética, outra alternativa. Vejam abaixo um exemplo de um dos meus percursos futuros em Toronto.
Em tempo: meu post sobre My Winnipeg comete um erro: escrevi que a mãe do narrador era a sua verdadeira mãe e que os outros membros da família eram atores. Coloquei essa informação pois o narrador diz explicitamente isso no filme. Mas não é verdade, a mãe é a atriz Ann Savage. Isso aponta para o jogo que o autor faz entre ficção e realidade nesse excelente filme.
Pequena cidade do Minnesota, North Oaks, quer desaparecer do mapa. A municipalidade requereu e o Google retirou imagens do "Street View", reporta matéria do CNET News.com. Como as estradas são privadas, todos são avisados com sinais de "no-trespassing". E a coisa é para ser levada a sério. O "não entrar" aqui vale também para visitantes virtuais. Interessante conflito entre receios e constrangimentos locais afetando o espaço eletrônico. Bom, pelo menos agora conhecemos North Oaks, não pelos mapas, mas pela imprensa.
Trechos:
"North Oaks, a private community of 4,500 residents north of St. Paul, isn't too keen on outsiders traipsing through its privately owned streets--even if is only on the Internet. According to the city's Web site, the roads are privately owned, and a no-trespassing sign greets potential visitors to the city. So city officials were really unhappy when images of their streets and homes appeared on the Google Maps feature, which presents a view of dozens of United States cities from a driver's perspective. The North Oaks City Council sent the Internet search giant a letter in January demanding that images be removed or risk being cited for trespassing, the Minneapolis Star Tribune reported. (...)"
O Google Maps acaba de lançar um sistema, o Google Maps Recent Edits que permite acompanhar, em tempo real (ou quase), os pontos de interesse criados ou editados no Google Maps ao redor do mundo.
Ao clicar no link vemos uma pop up mostrando um novo lugar ou edições dos mesmos. (Via Radar Oreilly).
Artista Aram Bartholl apresenta os projetos Maps e Berlin East-West na exposição "Cardinal Points: the relationship between art & maps" dia 01 de fevereiro em Baltimore. Os projetos são de 2006. Destaco aqui o interessante Maps. Maps é o questionamento dos pontos de referência no google maps. Ela explora as imprecisões e brinca com a relação entre o espaço eletrônico e o espaço urbano, concretizando, por assim dizer, os pontos de interesse.
"The web interface of Google Maps uses small graphical icons to show location related search results on a map in an alphabetical order. On each new search ten red markers (A - J) known from the analogue world find their new position automatically within milliseconds. Interestingly each marker and even the speech bubbles with further information do cast a shadow on the map and satellite image. While zooming in the map the pixel size of the markers on the screen always stay at the same size. But if their size is seen in relation to their environment they shrink while the user does zoom in the map."
Slate Magazine apresenta um Map the Candidates, onde o interessante é acompanhar os candidatos (textos, arquivos, vídeos) mas também colocar testemunhos, o "write-ups":
"Write-ups are eyewitness reports from citizens who have attended campaign events, courtesy of our partnership with Primary Place Online. Hunt down write-ups for past stops using the timeline and our newly souped-up news feed."
" Map the Candidates uses the candidates' public schedules to keep track of their comings and goings. Here's a quick primer on your new election toolbox.(...)
1. Want to know who's spending the most time campaigning this month? Play with the timeline sliders above the map to customize the date range displayed.
2.Care most about who visited your home state? Zoom in on it, or type a location into the "geosearch" box below the map.
3.Choose which candidates you want to follow with the checkboxes to the right of the map. If you only want to see the frontrunners, uncheck all of the fringe candidates. Voilà?you're left with the cream of the crop.
4. Follow the campaign trail virtually with MTC's news feed. Everyday, YouTube video and articles from local papers will give you a glimpse of what stump speeches really look and sound like. Just click the arrow (?) next to the headline.
5. Take a closer look at candidates by clicking on their names to the right of the map. You'll get the lowdown on their travels, media coverage, and policy positions."
Google adiciona função de localização de usuários de celulares no google maps, o "my location". Mapeando a célula mais próxima de onde você está usando o celular, o sistema aponta a sua localização aproximada. Ótima opção para celulares que não têm GPS.
Vemos aqui mais um exemplo de formas de territorialização pelo controle do espaço e do movimento, onde alguns autores só vêm "nomandismo". Para mais detalhes ver meu artigo sobre processos de territorialização e desterritorialização com dispositivos móveis.
"(...) Users of Blackberries and many other smartphones can now push a button and the Google mapping service will figure out more or less sort of where they are.
(...) Google today is adding a feature for some smartphones that don?t have built in GPS but can read the unique identifying number of the cell tower they are connected to. By using this information, Google can display a map of the general area they are in. (Google isn?t the first to try this sort of thing.)
Google nicely tried to design the service to take into account its limitations. When you push the button, it draws a dot at the nearest cell tower and draws a circle around it to identify the area in which it thinks you are. The screen will tell you the margin of error, typically between 500 and 2000 feet. (...)
Post do Jornalismo & Internet, por Marcos Palacios, mostra um mapeamento bastante completo dos terreiros de Salvador: o projeto Mapeamento dos Terreiros de Salvador. O post aponta algumas das carcterísticas de geográficas de Salvador e a força da cultura negra local. Interessante forma de representação visual de uma das mais importantes manifestações culturais do povo baiano. Um uso local da potência das mídias locativas (há localização, fotos, textos...). Seria interessante, no futuro, adicionar vídeos, entrevistas, etc.
Depois do mapeamento dos hotspots em Salvador do projeto WiFiSalvador, do Grupo de Pesquisa em Cibercidade, esse parece ser o segundo tipo de mapeamento (e os dois sob o amparo da UFBA) usando o Google Maps na cidade (se estiver errado, e conhecerem outros, por favor me avisem!)
Vejam trechos
"Foi lançado hoje um mapaeamento disponível na Internet de todos os Terreiros de Candomblé em Salvador. Buscas podem ser feitas por Nações, por Regentes e por Bairros de Salvador. (...) As Secretarias Municipais da Reparação e da Habitação, em parceria com o Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA, realizaram um grande pesquisa sobre as religiões de matrizes africanas na cidade do Salvador. O objetivo foi conhecer os terreiros da nossa cidade: saber quantos são, onde estão localizados, suas condições de documentação, regularização fundiária e infra-estrutura, entre outros aspectos sócio-culturais e demográficos. A Coordenação Geral dos trabalhos foi do Prof. Jocélio Teles dos Santos. O site traz uma impressionante qualtidade de informações sobre o assunto."
Tenho insistido no potencial psicogeográfico e de deriva das mídias locativas, e isso para além dos formatos comerciais que estão surgindo a cada dia. Discuti em recente artigo esses processos de desterritorialização (a deriva, a perda de controle) e de "territorialização" em jogo com as tecnologias digitais móveis. Tenho mostrado em papers e nesse Carnet projetos "bottom-up" de produção de mapas e croquis, abrindo possibilidades participativas de escrita e leitura do espaço. Post do Masters of Media "Can Google Maps set us free? From dérive to (collective) intelligence" mostra bem esse processo.
Teoria da Deriva, na fot movimentos de estudantes do 16th arrondissement de Paris (do Moon River).
"One of the basic situationist practices is the dérive [literally: "drifting"], a technique of rapid passage through varied ambiances. Dérives involve playful-constructive behavior and awareness of psychogeographical effects, and are thus quite different from the classic notions of journey or stroll. In a dérive one or more persons during a certain period drop their relations, their work and leisure activities, and all their other usual motives for movement and action, and let themselves be drawn by the attractions of the terrain and the encounters they find there."
Theory of the Dérive - Guy Debord.
Vejam trechos abaixo do post do Masters of Media:
"Dérive is a notion used by Guy Debord in an attempt to convince readers to revisit the way they looked at urban spaces. The concept means to aimlessly walk, or drift, through the city streets being guided by the momentum and space itself. A modern practice of Dérive is roaming the streets of your city through the satellite photographs in Google Maps and more recently Google Street View; a new feature of Google Maps that allows one to view and navigate high-resolution, 360 degree street level images of various cities (in the US). Google?s maps distinguish themselves from traditional printed maps in the sense that the user is able to interact.
The basic premise in Debord?s theory of Dérive is that people are trapped in the practices of everyday life, by looking at the city by following their emotions they can break with their daily route, routine and enclosed space. Cities in fact are designed in ways to direct and control its publics.
(...)
Bringing an inverted angle to the world can make people assign new meanings to familiar places, produce new forms of social interaction and make public space a place where one stops to look.
(...)
Similarly the satellite photographs in Google Maps changes meaning and memories attached to common places; it gives the user an experience of re-familiarity. Street View on the other hand draws on the recognizable element; the photographs are taken from street level and thereby rediscovering is substituted for virtual sightseeing. The user can now wander through New York while staying at home; moreover, the user can zoom and alter the view at any time. Instead of looking up the fastest route or determining ones location, the function seems to have shifted in the direction of roaming and aimless wandering.
(...)
A wide variety of peer-created extensions are freely available augmenting the information and increasing the amount of knowledge, such as the Wikipedia extension ? which provides a sense of temporal accuracy in Google Earth because information is provided about history and coming into being of a particular place, complete with specific dates, adding to the hyper-real situation. The practice of contributing to the medium opposes with traditional one-way media institutions. Google Earth allows users to act upon their creative skills and knowledge by offering possibilities to co-create the product and make it available to anyone, also outside the community. Google Maps API is a tool which users of Google Earth can use to include whichever information to existing maps offered by Google.
(...)
Currently maps are circulating in 3D or data tips containing personal information or photographs taken by users from a street level (which consequently changes the perspective of the original design). Information visualization tools such as maps enable greater understanding of reality, our society, life, and in short our existence. The accessibility and popularity of dynamic digital maps should make academics and interaction designers wonder how new ways of wandering can educate, emancipate, and enlighten the masses."
Matéria do Ecrans mostra como o Google maps fica mais participativo permitindo que os usuários possam intervir diretamente sobre os dados. Uma espécie de wi-ki para mapeamentos, permitindo novas formas de apropriação do espaço urbano.
Vejam trechos:
"Google Maps, le site de localisation géographique en ligne, fait un pas dans le participatif en permettant désormais aux utilisateurs d?intervenir directement sur les données. Un pas cependant timide, car ici pas d?ouverture à la Wikipédia, les actions restent très encadrées. Et, pour son lancement, la nouvelle fonctionnalité est limitée aux utilisateurs enregistrés chez Google, résidant aux Etats-Unis, Australie et Nouvelle-Zélande.
Quand un utilisateur s?aperçoit qu?une localité n?est pas ou mal renseignée, il peut désormais l?éditer, en la complétant ou modifiant ses informations. Par exemple, pour déplacer le marqueur d?un lieu, il suffit, dans sa bulle d?information, de cliquer sur « Edit », puis sur « Move MarKer », de déplacer le marqueur, puis d?enregistrer. Les nouvelles données du lieu apparaissent alors en ligne, mais les utilisateurs ont toujours accès à l?information originale, renseignée par Google, via un lien « Show original ». (voir la vidéo de présentation ci-dessous).(...)