André Lemos is Associate Professor, Faculty of Communication, Federal University of Bahia, Brazil. PhD in Sociology, Sorbonne (1995), Visiting Scholar University of Alberta and McGill University, Canada (2007-2008). Coordinator of Cybercity Research Group (UFBa/CNPq) and Researcher level 1 at CNPq. Member of Prix Ars Electronica, Wi. Journal of Mobile Media and Canadian Journal of Communication Board. This Carnet is online since March 1st, 2001.
Acabo de tuitar três links para projejos e problemas que concernem o anonimato e a privacidade nos blogs, principalmente para os "citizen journalists", nos celulares, por geolocalização e redes GSM. A geolocalização também é o tema do projeto "Hitoric Map Works" que oferece a possibilidade de navegar por mapas históriocs interligados aos mapas atuais. No final uma síntese provisória dentro do espírito de "work in progress" deste Carnet de Notes!
O artigo do MediaShift, "Why Bloggers and Citizen Journalists Deserve A Shield Law", de Clothilde Le Coz, levanta a discussão sobre o direito ao anonimato e a proteção de fontes citadas nos Blogs. O argumento é que os blogs (os blogueiros) devem ter proteção direito à proteção de suas fontes e à liberdade de expressão de forma anônima afim de garantir o direito de expressão sem ser coagido ou censurado. A questão se apresenta nos EUA. No Brasil, a recente lei para internet em período eleitoral impede o anonimato, assim como a constituição brasileira em seu artigo quinto. Um debate sobre o anonimato na internet mereceria ser levado a sério.
Bom, vejam os argumentos do texto:
Sobre proteção de fontes:
"Today in the United States, there is no legislation that allows bloggers to protect their sources. Yet bloggers have become a great way for the public -- and journalists in particular -- to keep informed about important topics. A survey from Middleberg Communications and the Society for New Communications Research released on September 22 found that 66 percent of journalists use blogs to assist in their reporting. This means blogs play an important role in newsgathering and the press. So why not legally protect bloggers and citizen journalists by allowing them to use anonymity and protect their sources?
(...) The 2005 case of blogger Josh Wolf also emphasized the importance of online information to society. In July of that year, Wolf filmed a G8 protest in San Francisco. At one point during the protest, a police car was damaged during a clash between protesters and police. A cable station later aired some of the footage that Wolf posted on his blog, and it was then picked up by local affiliates of the national networks. Although Wolf denied having footage of the damaged car, a federal judge ordered him to hand over all of his unedited footage to a grand jury investigation.
Wolf refused on the basis of his rights under the U.S. Constitution's First Amendment and a California shield law that allows journalists to refuse to name sources or surrender unpublished material and notes. He was sent to prison for a month.
As much as Wolf spending time in jail was unjust, imagine what would have happened if Wolf wasn't a journalist and couldn't argue his right to protect his sources? He would have been forced to give up his footage and thus become an accomplice in the arrest of protesters."
Sobre o anonimato:
"Reporters Without Borders deals with issues related to anonymity almost every day. Being anonymous on the web has unfortunately become synonymous with behaving in a cowardly fashion, or posting offensive comments. But in many countries, anonymity is all about protecting the security of bloggers who risk their lives in order to publish information.
In Saudi Arabia, the use of real names online is very recent because most bloggers there are afraid of being arrested if they criticize the government. American citizen journalists don't face these kind of restrictions or threats. For most of us living in the U.S., anonymity is not a matter of personal security.
But consider the example of Twitter user Elliot Madison. He was arrested by the FBI and charged of hindering prosecution after he allegedly used the social networking site Twitter to help protesters evade police at the G20 Summit in Pittsburgh. Madison was giving the location of the riot police on the ground, but so too were reporters and news helicopters. His arrest is certainly of concern, and it could have been avoided if he had the option of protecting his anonymity."
O segundo tema deste post vem do Ecrans. Aqui a questão é a privacidade e também o anonimato no uso dos smart-phones. Segundo a matéria, um hacker mostrou que as operadoras e, qualquer pessoa com algum conhecimento e equipamentos, pode localizar qualquer celular GSM que tenha um GPS embarcado. E isso sem que o usuário saiba. Vejam trechos do texto "Smartphone : comment suivre son conjoint par GPS" de David Servenay.
"(...) L'expérience consiste à monter un réseau GSM local : en fait, une grosse antenne attachée à un sapin, couplée à un ordinateur sous une tente (ça, c'est l'esprit Burning Man). Puis de faire tourner la machine avec des logiciels libres ("open source" pour les geeks) en reprenant les procédures de base (un protocole, en langage informatique) utilisés par tous les opérateurs et constructeurs de smartphones. Comme me l'a expliqué Romain Beauxis, riverain qui nous avait déjà éclairé sur les possibilités techniques en matière d'écoutes de portables:
(...) "Les smartphones utilisent presque tous un protocole par défaut qui donne leur position géographique. Donc n'importe quel opérateur téléphonique (ou bien des gens qui simulent un réseau GSM, avec OpenBSC) peut connaître la position d'un smartphone, sans que l'utilisateur puisse accepter ou refuser. Dans la pratique : j'achète une station GSM, j'installe le logiciel open source, et je peux connaître la position GPS des téléphones dans mon rayon d'action."
(...) "Il suffit de mettre une station GSM dans une camionnette, par exemple devant nos bureaux, pour savoir qui est dans ce périmètre. J'ajouterais que même si c'est théoriquement à la portée de n'importe qui, il faut déjà trouver une station GSM, ce qui est sans doute assez dur. Il faut aussi officiellement avoir une autorisation pour utiliser les fréquences."
Même analyse de Romain Beauxis, pour qui la techno est à la portée d'un « bricoleur ». Pas très rassurant : "Pour ma part, le simple fait que votre fournisseur puisse avoir accès à cette information me paraît problématique. Par exemple, SFR vend déjà en option pro une géolocalisation des téléphones des employés de son client." (...)
O terceiro tema coloca o uso dos mapas entre o passado e o futuro. É o projeto Historic Maps. A partir da geolocalização do usuário é possível navegar em um mapa do passado interpolado com o presente. Assim, afirmam os idealizadores do projeto:
"Based in Westbrook Maine, Historic Map Works, LLC is an Internet company formed to create a historic digital map database of North America and the world. Drawing on the largest physical collection of American property atlases of its type, it is our aim to be the single best online destination for map enthusiasts and researchers alike.
In addition to our own atlas collection, we incorporated our scans of the antiquarian world map collection from the Osher Map Library and Smith Center for Cartographic Education located at the University of Southern Maine. Combining these collections allows site visitors a vast amount of information spanning several centuries of cartographic information.
Maps are then uploaded and cataloged for viewing on our website. Our technicians geocode each map to a modern map to enable the search by address function. Linking the historic images in our database with geocode data allows visitors to search by modern day address or latitude and longitude coordinates. Other methods to view our maps include browsing by geographic location as well as searching our maps via keywords, town names, makers names, or simply by year."
Em todos os projetos, vemos como as novas tecnologias de informação e comunicação estão trazendo velhas questões em novas roupagens (anonimato, vigilância, mapeamento, localização) para pensarmos a vivência no espaço urbano, a nossa relação com o local e às práticas sociais quotidianas.
No caso dos blogs, as informações necessitam ser mantindas sob o anonimato e o segredo de fontes para que a censura ou outra forma de violência estatal não sejam exercidas contra os blogueiros. Deve-se aqui, garantir a abertura das formas de conversação e a liberdade de expressão.
No que se refere aos telefones celulares, eles são hoje ferramentas inegáveis de sociabilidade, de uso informacional do espaço urbano, de contato permanente, de trabalho e lazer. No entanto, eles são também instrumentos invasivos, gerando controle, monitoramento e vigilância "locativas", atentando contra o direito ao anonimato e a privacidade. Formas de controle, monitoramento e vigilância estão em expansão hoje com as tecnologias móveis e redes sem fio.
Os mapas, sempre produção dos territórios (Latour), são formas de representar e apresentar o mundo criando maneiras específicas de visualização do espaço. O projeto citado apresenta a possibilidade de uma relação temporal com o espaço vivido apartir de mapas históricos e atuais. Assim, o usuário pode visualizar o lugar em que se encontra tendo ao mesmo tempo uma dimensão do passado e do presente.
Em todas as experiências, a dimensão locativa é a chave de compreensão das tensões e possibilidades políticas e culturais na atual fase da cibercultura.
Dois blocos neste post. Primeiro uma discussão sobre as reconfigurações das redes sociais e o papel crítico dos bloggers, ou a perda deste, com novas ferramentas como Facebook e Twitter. Depois 10 pontos para se pensar, proposto por Jan Chipchase a confiabilidade nas redes e as estratégias de privacidade. No segundo bloco, mídias locativas. Primeiro, comentário e vídeo sobre o projeto Color by Numbers, que usa interação entre celulares e paisagem urbana e depois a conferência de Timo Arnall, no LIFT09, em vídeo, sobre RFID e a "internet das coisas". Vamos lá:
1. Redes Sociais Online
Interessante texto de Eduardo Navas, escrito para o Interactiva 09 Biennale, no Remix Theory, ?After the Blogger as Producer? anailisando as redes sociais e principalmente a influência do Facebook e Twitter no papel crítico dos bloggers. O texto parte de um primeio artigo dialogando com o "writer as a producer" de Benjamin. Aconselho a leitura do texto na íntegra. No final, Navas vai argumentar que
"in 2009 Internet users are no longer encouraged to blog about a subject they know well; instead, people are encouraged to simply tell others in their network what they are up to. ?What are you doing? is the phrase that welcomes users in Twitter, and ?What?s on your mind? plays a similar function in Facebook.".
Ele tem razão, mas devemos estar atentos a uma possível transformação, também interessante, mas de ordem inversa. O uso do Twitter tem evitado posts de uma única frase em blogs, fazendo com que estes ganhem importância como lugar de crítica e de reflexão, de um tempo distentido de uma escrita mais atenciosa. Mas, efetivamente, a crítica de Navas é pertinente. Por exemplo, já ouvi várias pessoas (inclusive conhecedoras do assunto) falares que com os novos microblogs não precisaríamos mais de blogs. Mais uma vez, se o pensamento for substitutivo, só haverá perdas. A lógica deve ser sempre a reconfiguração.
Foto Jan Chipchase
Em Practices Around Privacy, Jan Chipchase aponto 10 pontos para se pensar como, em determinados países, as pessoas lidam com confiabiidade de redes e dispositivos e com a compreensão do que seja privacidade. Vejam o texto na íntegra e os 10 pontos abaixo.
"1. People who don't trust their government (whether they live in the UK, the US or Iran) tend to not to have much trust in the networks that carry their communication. But just because they don't trust it doesn't mean they don't use it - in particular the ease of connecting to the people that matter often trumps the risk of perceived breaches to their privacy, security. 2. Even if people are able to rationalise why they shouldn't use the network e.g. the risk of being arrested, events can take over. They may feel that as part of a large crowd they won't stand out; they may be caught up in the heat of the moment and turn to the tools they know; or simply at that moment in time the network is the least worst option. 3. People have very fuzzy mental models of how the network functions - for example not understanding where data is stored, or the implications of different types of storage. It doesn't take much imagination to understand the implications of using online backup services like MobileMe or Ovi Share in situations where, rightly or wrongly, people percieve the network to be compromised. 4. Mobile phone's don't need the network to be useful: they often include cameras and video cameras, in many urban centers adult penetration is ~100%, they are carried everywhere putting them in a prime position to capture and later share experiences - the Neda video is a good example. 5. In some countries side loading media is common - be it via cable, memory card, or Bluetooth. The practice of BluetoothMe - flirting and sharing files via Bluetooth is reasonably common amongst the youth in the Middle East and to some extent Iran with sensitive material being transferred from phone to phone in this way. It's not particularly practical except in contexts where people know each other and where people and devices are likely to remain in range with one another - the lecture theatre, the bus, the subway. Keep an eye on what's happening with micro-USB for data transfer going forward. 6. For all the discussion around sophisticated network tracking - interception often boils down to the man with the uniform and the truncheon checking your camera, your phone's inbox, your call log. Those photos of your mate throwing a gas canister? It puts you in a time and place. 7. The more there is at stake the more people will strive to understand the trade-offs in connecting to the system or network. And vice versa - if you've grown up around a good network access and, say location positioning then that's just how life is - there is less reason to question. Ditto censorship. 8. Increasingly the choice of whether to adopt, or opt-in to a technology is one of whether to opt-out of society. 9. People tend to adopt strategies to separate very private communication from the merely private, but in a world of cookies and call logs it's increasingly difficult to keep the two apart. If you have the time take a peek at the features that support very private communication (typically extra-marital affairs) on some Japanese mobile phones. 10. In any country where tracking is considered widespread - be careful about gifts from strangers. You never know where that mobile phone or SIM card has been and whether it makes you a target."
2. Mídias Locativas
Post do asquare mostra mais um projeto aliando tecnologias móveis e espaço urbano, Colour by Numbers. Aqui o usuário pode escrever o espaço com dispositivos portáteis digitais, modificando as paisagens urbanas. Vejam também o interessante artigo, Claiming Space. Abaixo vídeo com o trabalho e explicação dos criadores.
"A window full of light has many connotations in the context of a modern city. It can make visible a section of the private sphere, or attract passers-by to public spaces, like department stores, churches or museums. (...) The cityscape becomes a kind of mass medium. In this case, this means that a relatively flexible area contacts a broad and diverse public. The mass medium is a physical area, a place where you can write a message. (...) Cell phones and the internet are also media that create space. Their public nature both complements and competes with the tower?s spacial visibility. You can control the signals with your phone, and you can see them on location or on the internet. The technology is accessible for the individual. Which is good - the public space should be open to any person or usage that gives others the same freedom."
Por último, vídeo da conferência de Timo Arnall, do Oslo School of Architecture, no Lift09, em Marselha. Na sua fala que tinha por tema "Making Things Visible", o autor fala sobre RFID e a internet das coisas. Vejam como a metáfora do "download" de informação do ciberespaço, que usei em útlimos artigos, funciona bem aqui.
Esse post é o prefácio do livro "Blogs.com. Estudos sobre blogs e comunicação" (SP, Momento editorial, 2009), organizado por Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo. O livro será lançado em versão eletrônica e "Creative Commons", no dia 22/01 às 14h na área Campusblog do Campus Party em São Paulo. O livro, que tem esse prefácio e posfácio de Henrique Antoun (UFRJ), conta com artigos dos seguintes autores: Adriana Braga , Claudio Penteado, Fernando Firmino da Silva, Helaine Abreu Rosa, Jan Schmidt, Juliana Escobar, Leonardo Foletto, Marcelo dos Santos, Marcelo Träsel, Maria Clara Aquino, Octávio Islas, Rafael Araújo, Rogério Christofoletti e Rosa Meire Oliveira. O livro estará disponível no site www.sobreblogs.com.br.
Aproveito para agradecer mais uma vez o convite para escrever essas linhas. Escrevi o prefácio em abril de 2008 em Montreal.
Nada melhor para escrever um prefácio sobre o livro "BLOGS.COM: estudos sobre blogs e comunicação", organizado por Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo do que pegar como inspiração textos de um... blog. E, mais ainda, colocá-lo em forma de um post em um blog. Propus às autoras publicar esse prefácio como um post do meu Carnet de Notes, retomando e ampliando algumas informações e reflexões feitas aqui sobre esse tema. Com espírito de abertura, coragem e ousadia, elas toparam. Esse prefácio é assim o que indica a palavra em sua etimologia: "prae - fatia" ("falado antes"), ou "prae - factum" ("feito antes") já que está publicado aqui no Carnet antes mesmo do livro estar em formato papel e disponível nas livrarias. É um prefácio que não está, ainda, acoplado à materialidade do livro, servindo, no entanto, como uma fala anterior que pretende explicar o fenômeno dos blogs e a importância do livro, indicando por quê os leitores devem lê-lo. Agradeço assim às organizadoras por permitir que esse prefácio de um livro sobre blogs esteja, antes de tudo, em um blog!
A experiência
Quando comecei o Carnet de Notes quase não haviam blogs acadêmicos no Brasil, e muito menos na área de comunicação. Muitos colegas me desestimularam, dizendo que eu não iria atualizá-lo, que era uma moda passageira, que ninguém leria e que logo eu perderia o interesse. Erraram feio. Para mim o blog se tornou algo quotidiano, a meio caminho entre um caderno de notas pessoal e um arquivo profissional. Comecei os primeiros posts em março de 2001 e os mantenho quase que diariamente. Penso no blog durante o meu dia a dia e ele se tornou um espaço para lançar idéias, fornecer informações servindo como um observatório sobre minha pesquisa atual e como catálogo de meus projetos, livros, artigos e ensaios. Adiciono citações do dia no Jaiku, mensagens rápidas no Twitter, fotos do Flickr, vídeos do YouTube, informes sobre minha localização em tempo real com Loki e Plazes... Considero esse Carnet de Notes parte da minha produção acadêmica como pesquisador e professor universitário. De fato, ele é um espaço de expressão e de contato com outros, um prazer concretizado e compartilhado em palavras, imagens e informações. Ele é a minha casa no ciberespaço, um texto aberto, indefinidamente incompleto, a ser escrito a cada dia.
E não estou só. Os blogs são, junto com os games, os chats e os software sociais, um dos fenômenos mais populares da cibercultura. Eles constituem hoje uma realidade em muitas áreas, criando sinergias e reconfigurações na indústria cultural, na política, no entretenimento, nas redes de sociabilidade, nas artes. Os blogs são criados para os mais diversos fins, refletindo um desejo reprimido pela cultura de massa: o de ser ator na emissão, na produção de conteúdo e na partilha de experiências. E embora o Carnet não seja um blog sobre blogs, grande parte das minhas fontes de informação são blogs, e muito da minha reflexão gira em torno deles.
A cultura de massa criou o "consumo para todos". A nova cultura "pós-massiva", cria, para o desespero dos intermediários, daqueles que detêm o poder de controle e de todos os que usam o corporativismo para barrar a criatividade que vem de fora, uma "isegonia", igualdade de palavra para todos. Os blogs refletem a liberação do pólo da emissão característico da cibercultura. Agora todos podem (com mínimos recursos) produzir e circular informação sem pedir autorização ou o aval a quem quer que seja (barões das indústrias culturais, intelligentsia, governos...). O fenômeno dos blogs ilustra bem essa cultura pós-massiva que tem na liberação do pólo da emissão, na conexão telemática e na reconfiguração da indústria cultural seus pilares fundamentais (ver meus últimos artigos).
Post It...
O fenômeno comemorou sua primeira década no final de 2007. O termo blog vem de "weblog", contração de "web" e "log", criado por John Barger com o seu pioneiro "Robot Wisdon" em 17 de dezembro de 1997. Em matéria da Wired de dezembro de 2007 Barger dá 10 dicas para novos blogueiros. Acho algumas dicas inúteis, mas replico aqui algumas pela importância histórica do personagem. Para Barger, o melhor período dos blogs (como sempre o melhor é o que passou!) foi em 1998-1999. Imaginem, logo quando ninguém usava, escrevia ou sabia o que isso significava ou significaria. Aí vão algumas dicas
"- A true weblog is a log of all the URLs you want to save or share. (So del.icio.us is actually better for blogging than blogger.com.)
- You can certainly include links to your original thoughts, posted elsewhere / but if you have more original posts than links, you probably need to learn some humility.
- If you spend a little time searching before you post, you can probably find your idea well articulated elsewhere already.
- Always include some adjective describing your own reaction to the linked page (great, useful, imaginative, clever, etc.)
- Credit the source that led you to it, so your readers have the option of "moving upstream."
-Re-post your favorite links from time to time, for people who missed them the first time."
O post do Écrans de dezembro de 2007, festejando este aniversário, pergunta a alguns blogueiros como eles definem os blogs. Vejam algumas pérolas respondendo a pergunta, "o que é um blog?":
"- Une feuille blanche. Quotidienne. Addictive., Nicolas Voisin, du blog Politic Show
- Un blog, c'est comme un très très gros mégaphone, pour dire n'importe quoi, mais à plein de gens d'un coup. Pénélope Jolicoeur, du blog Pénélope Jolicoeur
- Un blog est un lieu où le personnel va chercher l'universel. Concrètement, on fait semblant de parler de soi pour mieux toucher les autres. Maïa Mazaurette, du blog Sexactu
- Une façon de trier et développer quelques idées, de les partager et de les enrichir au contact d'amis fidèles mais qu'on n'a pourtant jamais rencontré. Eric Viennot, du blog Y'a pas que les jeux vidéo dans la vie !
- La mise en application concrète et heureuse de la sérendipité : on y trouve des choses ou des gens passionnants, qui vous bousculent, de manière imprévue, en cherchant autre chose, voire en ne cherchant rien du tout. Nicolas Vanbremeersch, du blog Versac
- Personnellement c'est ma mémoire, mes marques pages, mes archives personnelles (qui deviennent donc publiques)... Etienne Mineur, du blog Etienne_mineur
Para mostrar que esse não é um fenômeno menor, forneço alguns dados para compreender a sua amplitude. Em dezembro de 2007, Technorati contava 112 milhões de blogs. A cada dia são criados mais de 175 mil novos e produzidos 1,6 milhões de posts (cerca de 18 por segundo). Últimos dados do "State of the Blogsphere" de 2006 indicavam que o número deblogs dobra a cada 5,5 meses e que um blog é criado a cada segundo, todo dia. Em relação ao Brasil, estima-se que há entre3 a 6 milhões de blogueiros/blogs e 9 milhões de usuários (as estatísticas variam muito em fontes como Ibobe/NetRatings, Intel entre outras), o que corresponde a quase metade dos internautas ativos no país. Nos EUA, por exemplo, 64 % dos adolescentes participam de alguma forma da criação de conteúdo on-line. Os blogs são mantidos por 28% deles. 39% disponibilizam e compartilham suas próprias criações artísticas on-line (fotos, vídeos, textos, etc.). Os dados são de um estudo de 2006 realizado pelo Pew Internet & American Life Project. Matéria do Estadão On-Line aposta que em 2012, 25% do conteúdo da internet será criado pelos próprios usuários. Essa é uma das diferenças entre as mídias de função massiva e as mídias de função pós-massiva. Segundo a pesquisa, "...as pessoas terão um desejo genuíno não só de criar e compartilhar seu próprio conteúdo, como também de fazer remixagens e mashups, e passá-los adiante em seus grupos - numa forma de mídia social colaborativa (...)". Artigo do francês Telerama de fevereiro de 2008 informava que os blogs passaram o jornal "The New York Times" como fonte para busca das informações mais importantes da atualidade. Segundo o Telerama:
"Sur quatre des cinq sujets retenus par les journalistes de l'Associated Press - exceptée la crise des subprimes -, les blogs sont remontés plus hauts que le New York Times dans la page de résultat. Un bémol cependant: la position dans le classement Google varie selon le nombre de liens qui pointent vers votre page. On a donc bien mesuré... la popularité des blogs eux-mêmes! Vont-ils pour autant supplanter les sites de presse traditionnels? Rien n'est encore joué"
A Web 2.0 (blogs, micro-blogs, podcasts, YouTube, Google Maps, wiki...) permite ainda agregar mapas, fotos, vídeos e mobilidade aos blogs. Há sistemas que permitem enviar vídeo ao vivo do celular para um blog, como por exemplo Flixwagon ou QIK. Novos sistemas, como Seero, possibilitam o envio de vídeo e áudio, ao vivo, com localização por GPS em mapas digitais, direto do celular. Essas novas experiências revelam a ancoragem nos "espaços de lugar", criando a possibilidade de testemunho de acontecimentos, importantes ou banais, ao vivo, de troca de informações para reforço comunitário e para a gestão do tempo e do espaço no quotidiano. Post do Digital Urban de abril de 2008 explica o sistema:
"(...) Seero breaks new ground by being the first platform to allow its users to broadcast live and on-location through Google Earth. Viewers can load Seero's global KML feed in GEarth and see the GPS positioning of each broadcaster along with their live video feed. Justin Cutillo, Seero's CEO, describes the new feature: "the end goal is to utilize Google Earth and Seero's broadcasting platform to create an accurate and dynamic representation of what's happening in the world and where it's taking place. It really is one of the moments that you have to take a look at the demo, sit back and then think how amazing is the ability to stream your location, video and sound live to a blog, Google Map or Google Earth. (...)"
Política e Ativismo
Questões de censura, política e ativismo estão diretamente relacionadas aos blogs. Muitos países reprimem blogueiros e censuram blogs, revelando que a liberação da emissão tem uma forte conexão política. Dar voz à todos (liberação da emissão), permitir o compartilhamento e a troca de informações (conexão) são poderosas ferramentas políticas de transformação da vida social (reconfiguração). Vou citar alguns exemplos. Post do Global Voices Online de janeiro de 2008 trazia em destaque a brutal condenação de jornalista à morte por circular um texto encontrado em blog iraniano sobre direito das mulheres e religião:
"The Afghan Association Blog Writers (Afghan Penlog), a community established by a group of Afghan activist bloggers, has expressed deep concern for a young journalist Sayed Parwiz Kambakhsh who was condemned to death by a local court. He has been a reporter for Jahan-e Naw (New World) weekly and a student of journalism at Balkh University. According to Afghan Penlog and international media, Parwez Kambakhsh was detained by the authorities on October 27, 2007 for downloading and distributing an article that he found on an Iranian weblog to friends. It spoke of women's rights Equal-Pay-No-Way, the Quran and the Prophet Mohammed. A local court in northern Afghanistan in Mazar-e Sharif has convicted him to death for the alleged blasphemy."
Ainda no Global Voices, post de março de 2008 chamava a atenção sobre a intensa atividade da blogosfera na crise do Tibet:
"Just looking for any word from bloggers in the Lhasa area on what the situation is there as of Friday local time; The unrest coincides with the 49th anniversary of the Tibetan people's unsuccessful uprising against the PRC occupation of the former theocracy, and comes the day after what was being called the worldwide Tibetan people's uprising was stopped at the Indian border. Updates will be added here as further blog posts are found. The Time China blog brings us one European tourist's writing, photos and video from Lhasa earlier this week."
Matéria da Folha Online de novembro de 2007 informava sobre ação deblogueiros contra a tortura no Egito, organizando um festival de filmes sobre o tema:
"Os blogueiros egípcios, muito ativos no combate às violações dos direitos humanos em seu país, querem realizar na internet um festival de vídeo de torturas. O concurso seria realizado em paralelo ao 31o Festival de cinema do Cairo, informou a imprensa da capital egípcia nesta terça-feira. Entre os prêmios da competição estão Chicote de Ouro. Idealizado por um blogueiro chamado Walid, este projeto de festival paralelo exibirá imagens polêmicas de tortura que teriam sido cometidas pelos serviços de segurança', explicou o jornal egípcio de língua inglesa 'The Egyptian Mail'. Os blogueiros egípcios revelaram muitos casos de supostas torturas cometidas por policiais, entre os quais atos de sodomia praticados contra um prisioneiro com um bastão. A cena, filmada com um telefone celular, foi amplamente divulgada na internet, gerando críticas entre os defensores dos direitos humanos e levando à prisão dois policiais. (...)"
O telefone celular tem sido um instrumento potente na mão dos blogueiros. Por exemplo, SMS e blogs são usados para coordenar protestos no Paquistão, criando formas autônomas e rápidas de organizar manifestações políticas. Vejam trechos do post do Mobile Active de novembro de 2007:
"Bloggers, activists and organizers in Pakistan are using SMS - short test messages - to coordinate protests and send updates on the political situation since Pakistani President Pervez Musharraf imposed martial law on November 3. Only 12% of Pakistanis have access to the internet (...) Bloggers in Pakistan report that November 3 had the 'highest number' of SMS messages sent -- an average of about 10 per mobile phone.(...) The Aurat Foundation, a women's rights organization in Islamabad, has organized an SMS center to organize protests and send political updates. Members of the network 'decided to circulate their message of protest through text messages and work towards the restoration of human rights, the judicial system and the removal of the media blackout amongst other issues.'(...) 'Recently with help from a number of brilliant technologists around the globe we have enabled LIVE SMS-2-BLOG services allowing citizen reporters in Pakistan to directly update this blog by sending this blog, readers shall now be given live updates from the field as it happens.' "
O novo fenômeno dos "micro-blogs", como Jaiku e Twitter, permite um contato mais direto com pessoas de interesses similares. Um post do Rue 89 de novembro de 2007 analisava os micro-blogs, as redes sociais e as tecnologias móveis como novas formas de comunicação que poderão, em um futuro próximo, desbancar o e-mail...ao menos para a geração mais jovem. Isso mostra como o e-mail está associado a formas de comunicação "sedentárias", e como os micro-blogs e SMS ganham terreno por serem mais rápidos, telegráficos, permitindo o envio em mobilidade. Vejam trechos da matéria do Rue 89:
" (...)Je me suis cependant résolu à l'idée que le succès de tous ces autres outils vient du fait que l'e-mail n'est pas parfait. Les messages instantanés, les SMS, les blogs et les micro-blogs, les profils sur les sites de réseaux sociaux compensent les défauts de l'e-mail. (...) Bien plus que l'e-mail, tous ces moyens de communication instantanée reproduisent les interactions habituelles des enfants dans la rue ou dans leurs chambres. L'e-mail, en comparaison, peut sembler guindé et laborieux. Ecrire demande de la méthode et du temps, l'e-mail est plus proche de la lettre que de la conversation. Même son temps de diffusion, à peine quelques secondes, est considéré comme terriblement lent.(..).
O uso dos blogs é tão intenso que outro post do Rue 89 de abril de 2008 - que apareceu agora, no momento em que estou escrevendo esse prefácio -aponta para a angústia do blogueiro diante da tela branca, do estresse que a atividade quotidiana cria (mais uma!). Vejam abaixo alguns depoimentos:
"- Je me sens, par exemple, obligée d'alimenter le blog même quand je n'ai pas vraiment le temps (ou des idées de billets). Sinon, les emails commencent à arriver de lecteurs me demandant si tout va bien.
- Parfois, j'écris un texte tard le soir, en rentrant d'un dîner qui s'est prolongé. Je me défoule, je balance tout ce que j'ai accumulé dans la journée. C'est une catharsis. Le lendemain matin, je me précipite avec angoisse devant mon écran et je découvre avec consternation ce que j'ai écrit la veille."
- Ma seule souffrance est de ne pas rédiger assez et de me sentir coupable quand je vois les assez nombreuses connections de gens qui viennent vérifier si j'ai du nouveau alors que je n'ai rien fait."
Blogosfera? Leiam o livro!
Os exemplos são inúmeros e aparecem a cada dia. A blogosfera não pára de crescer e me sinto orgulhoso de participar dela, lá se vão 7 anos. Como compreender esse fenômeno socio-comunicacional de impacto planetário? Os blogs se transformam não só em um objeto fundamental de pesquisa para as ciências sociais, mas também em um poderoso instrumento pedagógico. Vários acadêmicos, e me incluo aqui, usam os blogs para lançar idéias e colher comentários; para criar ambiente de discussão que amplia a sala de aula e permite aos alunos trocar idéias, adicionar comentários; como memória de pesquisa; como obra de arte...Os usos e os tipos são inúmeros e crescem a cada dia.
Não é, como me diziam alguns há sete anos atrás, um fenômeno menor, passageiro, mas sim de um verdadeiro sintoma da cibercultura e do desejo de conexão e comunicação permanente. Isso não significa fim de conflitos e problemas. Como mediar o debate sem centralizar o poder? como criar mecanismos de confiabilidade nas informações e nos comentários sem implementar regimes corporativos esclerosados? como criar qualidade e tirar o joio do trigo nessa polifonia planetária? Não há respostas simples para estas questões.
O jogo está aberto. O desafio é achar uma saída criativa que evite o pensamento binário e simplório que por um lado insiste entre a "mediação" clássica (dos pares, dos editores, dos sábios) e, por outro, no populismo pobre que dá voz a todos sem hierarquias de valores. A riqueza da cibercultura está na criação de ferramentas que potencializam a pluralidade e a democratização da emissão. Mas tudo é virtual e só o debate (político) poderá atualizar essa dádiva. O atual estado de tensão e complementaridade entre os sistemas massivos e pós-massivos deve amadurecer.
A vida social tira proveito dessa tensão. As pessoas convivem com esse duplo sistema sem muita dificuldade: elas vêem TV e acessam a internet, baixam podcasts e ouvem rádios, lêem críticas dos experts em veículos massivos e acessam blogs de "pessoas comuns" ao redor do globo. A reconfiguração da cibercultura criou um ambiente mais rico já que hoje, como usuários, temos mais opções de escolha de informação e, pela primeira vez, podemos publicar e distribuir, de forma planetária, conteúdo em forma de áudio, texto, foto, vídeo. E, com os novos dispositivos sem fio, em mobilidade.
O fenômeno dos blogs merece ser estudado, debatido e visualizado em todas as suas facetas. O livro que está em suas mãos tem o mérito de abordar esse fenômeno por todos os ângulos, com rigor e competência. Os artigos tratam de temas fundamentais para a compreensão da blogosfera e é uma contribuição importante para as ciências sociais e a para comunicação em particular. O livro é útil tanto para acadêmicos como para o público em geral. As organizadoras Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo, estudiosas do fenômeno e blogueiras de primeira linha, companheiras de debates em congressos e, claro, em blogs e micro-blogs, dividem o livro em duas sessões que guiam o leitor para o que interessa: uma perspectiva epistemológica, tentando situar os blogs como objeto de pesquisa científica ("sessão 1 - definições, tipologias e metodologias"), e uma outra socio-antropológica, dando ênfase aos usos e apropriações da ferramenta ("sessão 2 - uso e apropriações"). No seu conjunto, o livro trata de questões conceituais, históricas, políticas, sociológicas, jornalísticas, subjetivas, educacionais, dando um quadro bastante completo do fenômeno, já nascendo como uma referência para professores, pesquisadores e alunos de comunicação e das ciências sociais como um todo.
Gostaria de ressaltar também o cuidado em recuperar não só uma bibliografia internacional (o que todos fazem), mas de prestar atenção e dar o merecido valor aos autores nacionais, aos papers apresentados em congressos e aos artigos e livros publicados no país por autores brasileiros. As organizadoras, e os respectivos autores, mostram que, às vezes, "santos de casa" fazem milagres sim!
Devemos louvar a iniciativa e congratular os (as) autores (as) pela excelente contribuição acadêmica para a análise desse fenômeno vivo que cresce diante dos nossos olhos. Cabe então ao leitor descobrir. Espero que o livro possa alimentar e criar mais blogs, que os leitores possam postar suas opiniões, críticas e sugestões para que possamos conhecer e circular os novos conhecimento gerado pelo livro.
Montreal, abril de 2008
André Lemos é PhD em Sociologia pela Paris V, Sorbonne (1995), Pós-Doutorado pela University of Alberta e McGill University, Canadá (2007-2008), Professor Associado da Faculdade de Comunicação da UFBa e Pesquisador 1 do CNPq. Autor de vários artigos e livros sobre cibercultura foi membro do júri do prêmio Best of Blogs, da Deutsche Welle, Bonn, Alemanha e é membro do conselho internacional do Prix Ars Electronica para Digital Communities e Board do "Wi. Journal of Mobile Media" e "Canadian Journal of Communication", Canadá. Blogueiro desde 2001, idéias, livros, artigos, projetos, podem ser vistos em http://andrelemos.info
Post do ReadWriteWeb informa sobre relatório mostrando como as midias de função pós-massiva são importantes também em situações de crise. O relatório apresenta resultados em relação aos últimos incêndios na Califórnia. Escrevemos um artigo sobre o papel das tecnologias móveis e blogs durante as Tsunamis. O relatório mostra como blogs, micro-blogs (principalmente Twitter nos incêndios e em terremoto no UK em fevereiro último) e software sociais, destacando o Facebook, são instrumentos importantes para informações localizadas e em tempo real. Mais uma característica locativa das mídias de função pós-massiva que as diferenciam das mídias de função de massa que nesse caso específico não fornciam dados confiáveis e centrava o foco no aspecto sensacionalista do evento.
Trechos:
"A study that will appear in tomorrow's New Scientist magazine found that social media sites, blogs, and instant messaging services were better at connecting people and providing warnings during emergencies than traditional sources of such information, according to the Telegraph. Dr. Leysia Palen, an Assistant Professor of Computer Science at the University of Colorado, led a research team that studied uses of social media during last fall's wildfires in California and last spring's shootings at Virginia Tech for the report.
During the wildfires, the team found that people were using Twitter to spread updates about where the fires were to friends and family, and Google maps mashups were hacked together to keep people informed of new fires and schools and businesses that were closed. This information was was being disseminated far more quickly than via official governmental channels, according to the report.
'The mass media were unreliable, the study found, as they struggled to access remote areas from which website users with an internet connection could easily report,' writes Andy Bloxham. The mainstream media was seen to be focusing on 'sensational' aspects of the fire as well, according to Palen, such as homes of celebrities that were caught by the fire.
While local authorities were still trying to organize after the shootings at Virginia Tech last April, a Wikipedia page accurately describing the shooting (according to Pelan) was online within 90 minutes of the first deaths. Students created the now famous 'I'm OK at VT' Facebook group a scant 20 minutes after the Wikipedia article and began using the social network to connect family and friends. (From personal experience, I can tell you that many of my friends were on Facebook within hours that day trying to track down a mutual friend who attends the school.)
As we previously reported, the role of citizen journalism has begun to be recognized by mainstream media outlets during these tragedies. During the wildfires in California, for example, CNN's i-Report section saw dramatic growth and was eventually spun off as a standalone site.
'Members of the public play an absolutely critical role in disaster response. Now we're seeing what happens when you superimpose a technological layer on top of that,' Palen told the Telegraph. 'Instead of rumour-mongering, we see socially produced accuracy.'(...)".
"93% dos adolescentes norte-americanos utilizam Internet e 64% ativamente participam de alguma forma de criação de conteúdo online. Blogs são mantidos por 28% deles e 39% disponibilizam e compartilham suas próprias criações artísticas online (fotos, vídeos, escritos, etc). Os dados são de um estudo realizado pelo Pew Internet & American Life Project e relativos ao ano de 2006, em comparação com 2004 e 2005. O texto do relatório, intitulado Teens and Social Media , pode ser acessado na íntegra."
"Blogueiros fazem festival de filmes de tortura no Egito Publicidade da France Presse, no Cairo Os blogueiros eg?pcios, muito ativos no combate ?s viola?es dos direitos humanos em seu pa?s, querem realizar na internet um festival de v?deo de torturas. O concurso seria realizado em paralelo ao 31? Festival de cinema do Cairo, informou a imprensa da capital eg?pcia nesta ter?a-feira. Entre os pr?mios da competi?o est?o Chicote de Ouro. Idealizado por um blogueiro chamado Walid, este projeto de festival paralelo exibir? 'imagens pol?micas de tortura que teriam sido cometidas pelos servi?os de seguran?a', explicou o jornal eg?pcio de l?ngua inglesa 'The Egyptian Mail'. Os blogueiros eg?pcios revelaram muitos casos de supostas torturas cometidas por policiais, entre os quais atos de sodomia praticados contra um prisioneiro com um bast?o. A cena, filmada com um telefone celular, foi amplamente divulgada na internet, gerando cr?ticas entre os defensores dos direitos humanos e levando ?pris?o dois policiais. Em 5 de novembro, os dois policiais foram condenados a tr?s anos de pris?o. ? muito raro no Egito que membros das for?as da ordem sejam condenados por abusos cometidos contra detentos. O Festival de Cinema do Cairo acontecer?entre os dias 27 de novembro e 7 de dezembro."
Interessante, embora sem muito desenvolvimento, o post do Masters of Media, Mobile phone makes the sovereign man? Analyzing citizen journalism with Nietzsche in mind. O texto busca compreender, a partir de Nietzsche, o "citizen journalism". Interessante é a citação onde Nietzsche fala dos jornalistas, mas que poderia ser generalizada para a bloguosfera. Viver no limite do presente, tentando postar tudo que aparece "agora", sem muita ou nenhuma reflexão, essa me parece ser a grande armadilha dos blogs e do jornalismo cidadão. Vários blogs so são copy and past de noticias de outras fontes (gatewatching?) sem nada adicionar. Devemos tentar, a todo instante, parar para pensar, adicionar conteúdo ao que postamos e não apenas virar vítima do presente e do "último sucesso da última semana". Como em toda inclusão, é preciso se auto-excluir para melhor pensar e compreender a cibercultura. Parar, dar um tempo, desconectar é fundamental para exercer, justamente, a potência da conexão.
"Nietzsche's criticism of the mass culture emerged along with the rise of popular literature, journalism, and the modern press. With the explosive rise of weblogs, mobile devices, and online video, traditional journalism has been contested and challenged by a new model of journalism called citizen journalism. With Nietzsche's critique of mass society in mind, can we actually consider citizen journalism as the upsurge of strong individuals whose works transcend their present condition and liberate them from authority, custom morality, or even religion? (...) According to Nietzsche, journalistic culture as part of the mass culture would gradually substitute true culture:
The journalist, the master of the moment, is a slave to the present, the ways of thinking and fashion. He writes about artists and thinkers and slowly takes their place, destroying their work. But, while the journalist lives off the moment, thanks to the genius of other men, the great works of artists emanate the desire to survive and surpass time though the power of their creations. (Nietzsche 1870-1873)"
Blogueiros de Cuba começam a furar a censura e falar mais sobre a situação da Ilha. Cuba tem a menor taxa de penetração da internet da América Latina, internet cara e dificuldade de acesso. Vejam para detalhes a matéria Bloggers begin to tell the realities of life in Communist Cuba.
HAVANA: When Yoani Sánchez, 32, wants to update her blog about daily life in Cuba, she dresses like a tourist and strides confidently into a Havana hotel, greeting the staff in German.
That is because Cubans like Sánchez are not authorized to use hotel Internet connections, which are reserved for foreigners. In a recent "Generación Y" posting at www.desdecuba.com/generaciony/, Sánchez wrote about the abundance of police patrolling the streets of Havana, checking documents and searching bags for black-market merchandise.
She and a handful of other independent bloggers are opening up a crack in the government's tight control over media and information to give the rest of the world a glimpse of life in the one-party, Communist state.
"We are taking advantage of an unregulated area. They can't control cyberspace out there," she said.
But the bloggers face many difficulties. Once inside the hotel, Sánchez has to write fast. Not because she fears getting caught, but because online access is prohibitively expensive. An hour online costs about $6, the equivalent of two weeks of pay for the average Cuban.
Independent bloggers like Sánchez have to build their sites on servers outside Cuba, and they have more readers outside Cuba than inside. That is not surprising, since only 200,000 Cubans of the 11 million on the island have access to the World Wide Web, the lowest rate in Latin America, according to the International Telecommunication Union.
Only government employees, academics and researchers are allowed to have their own Internet accounts, which are provided by the government. Ordinary Cubans are allowed only to open e-mail accounts that they can access through terminals at post offices, where they can also see Cuban Web sites but access to the rest of the World Wide Web is blocked." (...)
O site Free Burma! convoca a blogsfera para se unir na luta pela liberdade de expressão e democracia na ex-Birmânia, sob domínio de uma ditadura militar e há vários dias, palco de revoltas populares iniciadas por monges budistas. Assinem a petição e juntem-se ao movimento. O dia de hoje, 4 de outubro, é o dia de lançamento da campanha:
"International bloggers are preparing an action to support the peaceful revolution in Burma. We want to set a sign for freedom and show our sympathy for these people who are fighting their cruel regime without weapons. These Bloggers are planning to refrain from posting to their blogs on October 4 and just put up one Banner then, underlined with the words "Free Burma!"."
"The shutdown of communications in Burma has slowed information to the outside world to a trickle, with the number of reports to one exile group cut by half and websites with the .mm Burma suffix being unavailable, campaigners said yesterday. "It is difficult to get information out because the internet has been closed," said Moe Aye, an editor at the Democratic Voice of Burma, a media group set up by exiled Burmese students."